O último romântico

Eu lembro que a minha primeira namoradinha de infância se clamava Patrícia, uma amiguinha da minha turma na escola. Vi uma foto dela em um álbum empoeirado de família há uns meses, era loirinha, sorridente, muito bonitinha. Eu chamava a mãe dela de “minha sogra” e, se eu me lembro bem, a “minha sogra” se divertia com a ousadia do “genro”.

Isso aconteceu há o que, 35 anos, sei lá.

Pois dia desses, Fernanda surgiu estendendo o telefone para mim, rindo. Na tela, uma mensagem enviada pela mãe de uma menina da turma do João na escola:

Fernanda, olha só o que o João mandou para a Catarina hoje! (seguido de vários coraçõeszinhos)

Abaixo da mensagem, esta foto:

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Ah, o amor…

Eu conheço a Catarina. É uma menina de pele branquinha, cabelos castanhos sempre presos e olhos castanhos grandes, que parecem estar sempre prestando atenção em alguma coisa. Ela sabe quem eu sou, tanto que quando ela me vê nos dias em que consigo pegar o João na escola ela não consegue disfarçar a vergonha antes de me dizer um “oi” encabulado.

Eu já os vi juntos também, e consegui tirar uma foto no melhor estilo paparazzo em um evento da escola.E fiquei admirado com a atenção que a Catarina dá ao João Guilherme e o carinho com que ela o trata. Já ele congela quando ela fica perto, fica visivelmente sem graça e não move um músculo, quase nem respira – parecem um casal de jovens apaixonados, só que dez anos antes da hora.

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O casal

Depois de ver a foto, rir muito e lembrar da Patrícia, fui, claro, dar uma zoada no João:

– E aí, João, fiquei sabendo que você escreveu um bilhete para a Catarina. Como é que foi, ela leu? Gostou? Respondeu?

Ele ficou roxo de vergonha e nem conseguia falar direito. Se um buraco abrisse no chão, ele entraria lá para nunca mais sair:

Ahn… não. Quer dizer, sim. Mas depois eu conto. Deixa pra lá!

Me conta aí, cara! Como é, vocês estão namorando?

Não! Para, pai!

Mais tarde, foi ele que veio falar comigo.

Sabe, pai… eu acho que eu e a Catarina estamos namorando.

Legal, João! Já sabe, né? Pra namorar tem que ser gentil, educado, carinhoso, atencioso, tem de tomar conta dela…

Tá, tá, pai. Já entendi!

A vergonha não tem limites.

Claro que isso não passa de uma brincadeira divertida, são só duas crianças de seis anos conhecendo o mundo e suas próprias afinidades, além de demonstrarem para a outra o afeto com que são criadas em casa. Mas espero que quando ele começar a namorar de verdade lembre do que eu falei sobre como se deve tratar uma mulher – mais uns bizus que eu ainda vou contar quando chegar a hora. Moleque, cola em mim que você se dá bem!

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