Ainda a Peppa Pig

Pouco antes do dia dos pais, recebi, na caixa de correio do blog, um e-mail muito interessante de uma moça que se identificou como repórter do jornal Correio Braziliense. Ela me disse que estava preparando uma reportagem sobre o dia dos pais para a Revista do Correio, que é publicada aos domingos e distribuída com o jornal sobre “piadas que se fazem sobre pais”, como aquele meme em que um pai grudou seu bebê na parede com fita adesiva para poder jogar videogame em paz (tô sem tempo de procurar a imagem, desculpem, mas eu sei que você sabe o que é), e representações dos pais em desenhos animados, como a Família Dinossauro ou a Peppa Pig.

Ainda segundo a repórter, durante a pesquisa ela encontrou meu já famoso post sobre a Peppa Pig (o mais acessado post deste blog em toda a história do universo) e, diante do que eu escrevi, ela gostaria de saber se essa representação dos pais como “bobões” também me incomodava e se eu toparia conversar com ela a respeito do tema e do meu papel como pai.

Fiquei pensando uns minutos antes de responder, e fiz uma auto reflexão. Afinal, mais de dois anos depois, eu ainda não gosto da Peppa Pig? Por quê?

Aí eu respondi o e-mail dela dizendo que sim, claro que eu topava conversar, mas já fui antecipando meu ponto de vista.

Não tem problema representar os pais como bobões. Pelo contrário, acho que o “pai bobão” é legal para as crianças, porque é o momento em que mergulhamos no universo infantil delas, que se identificam e se divertem. João Guilherme adora quando eu banco o bobão. Ser bobão é uma concessão que nós, adultos, nos permitimos para entrar no universo das crianças, e com isso todo mundo se diverte.

Só que ser bobão não significa ser idiota, e esse é o problema da Peppa. A caracterização dos pais faz com que eles deixem de ser bobões e se transformem em duas bestas quadradas, o que acaba desvalorizando a relação pai e filho. Por isso eu acho um desenho ruim e continuo não gostando dele.

Quando eu era criança havia um desenho chamado “Bibo Pai & Bobi Filho” que apresentava o pai bobão, não idiota. Deixei um clipe aqui em baixo que é legal, e não tem problema se você não perceber a diferença entre “bobão” e “idiota” de que estou falando, ela é tênue mesmo, e muito subjetiva. Mas para mim é tudo muito claro.

Foi assim que eu respondi ao e-mail da repórter, e esperei que ela me ligasse para continuarmos a conversa. Mas ela nunca me ligou, e eu não consigo achar a reportagem, se é que ela realmente foi publicada.

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