Deadpool

Cada vez que eu vou ao cinema assistir um filme de heróis da Marvel eu fico preocupado com a possibilidade de ter chegado o dia de eles terem estragado tudo. Com “Deadpool” havia uma preocupação a mais, relacionada à caracterização ridícula que a personagem havia recebido no filme “X-Men Origins: Wolverine” (2009), quando foi interpretado pelo mesmo Ryan Reynolds que o encarna nessa nova produção.

Bom, até agora eu não posso reclamar: tirando “Homem de Ferro 3”, todos os filmes da Marvel têm correspondido às expectativas (mal aí, DC) com bons filmes. E ainda não foi dessa vez que eu me decepcionei.

Deadpool

Own…

Alerta de spoiler: se você não quiser saber mais nada sobre o filme, clique aqui.

“Deadpool”já ganhou o título de abertura de filme mais legal que eu já vi. Nos créditos, ao invés dos nomes do elenco, do diretor e da equipe técnica, surgem coisas como “uma gostosa”, “um vilão inglês”, “um personagem totalmente criado em CGI”, “um diretor ‘tá se achando’ caríssimo” e outras frases do tipo. Isso dá o tom de total incorreção política do filme, que esculhamba sem dó quase todo mundo: X-Men, Hugh Jackman, Liam Neeson, “Um Lugar Chamado Notting Hill”, os estúdios Fox e até o próprio Ryan Reynolds. Isso tem explicação: no mundo dos quadrinhos, Deadpool é conhecido como “O Mercenário Tagarela”. Essa fama é honrada no filme: a personagem não para de falar e os diálogos são ágeis, afiados e hilários, recheados de referências pop, um deleite. E isso fica mais divertido porque “Deadpool” traz para o cinema a característica dos quadrinhos de ter “quebrado a quarta parede”, quer dizer, o protagonista sabe que está em um filme e conversa com os espectadores.

A história do filme é bem simples, até: Wade Wilson é um ex militar que se tornou mercenário e agora vive de bicos, como aterrorizar stalkers, nada muito emocionante. Aí ele conhece a prostituta Vanessa Carlysle (a linda Morena Baccarin, que é brasileira), por quem se apaixona e passa a viver uma história de amor bonitinha, até que descobre que tem câncer em estágio terminal e pouco tempo de vida. Tudo parece perdido até que surge um sujeito esquisito chamado Ajax, que lhe oferece a cura através de um tratamento que tem efeitos colaterais certos mas desconhecidos (quer dizer, haverá efeitos colaterais, mas ninguém sabe ao certo quais poderão ser porque eles são diferentes em cada paciente).

Depois de relutar bastante, Wade aceita fazer o tratamento e procura Ajax. Depois de comer o pão que o diabo amassou com raiva, ele adquire habilidades e poderes sobre-humanos (como a regeneração do corpo à lá Wolverine) mas fica desfigurado. No filme, ele diz que ficou com a cara de “um abacate que transou com um abacate mais velho ainda”, mas ele só diz isso porque não deve conhecer um bom e enrugado maracujá de gaveta. A partir daí ele parte em busca de vingança contra Ajax, ele também submetido ao mesmo tratamento e também dono de super poderes, ao mesmo tempo em que Colossus tenta cooptá-lo para integrar os X-Men – é aí que o filme fica mais legal.

As cenas de ação são divertidas e muito bem montadas, nada daquela loucura nauseante tipo “Transformers”. “Deadpool” é o tipo do filme despretensioso que manda muito bem, assim como “Guardiões da Galáxia”. E vejam a cena pós créditos!

 

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