Pedal na Niemeyer

Foi um fim de semana de “turistar em casa”. Depois de termos conhecido a nova Praça Mauá e o Museu do Amanhã, Fê e eu resolvemos experimentar a nova ciclovia da Niemeyer, construída sobre o costão da Avenida Niemeyer para ligar o Leblon a São Conrado. É mais uma etapa do projeto “Complexo Tim Maia”, que pretende unir em uma única ciclovia toda a orla do Centro, Zona Sul e Zona Oeste da cidade, desde o Santos Dumont até Grumari. Agora só falta o trecho entre São Conrado e Barra, que vai ser feito por meio da ciclovia anexa ao Elevado do Joá. Quando tudo estiver pronto, serão aproximadamente sessenta quilômetros de ciclovias com uma bela de uma paisagem.

Este trecho de ciclovia, em particular, é uma grande passarela construída sobre a pedra com quatro quilômetros de extensão, subindo e descendo a Niemeyer, passando pelo Vidigal. Eu já havia feito esse trajeto outras vezes, correndo nas meia maratonas de que participei, então sabia que seria tranquilo, mas aquele cara sedentário, que pega na bike uma vez ou outra também pode ir numa boa, porque qualquer bicicleta com marchas, como as do Bike Rio, encara aquela subida tranquilamente (para bikes sem marcha, aí eu já recomendo certo preparo físico).

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Descendo em direção a São Conrado: ao fundo, a torre do Hotel Nacional e, mais além, a Pedra da Gávea

Como a ciclovia foi inaugurada dia 17 deste mês, tudo ainda está novo, mas eu notei algumas falhas de estrutura: a sinalização, seja vertical (placas) ou horizontal (pintada no chão) quase não existe e não há indicação de distância percorrida (e isso existe em todas as outras ciclovias da orla), o que não parece muito, mas ajuda bastante a saber onde você está. Também são poucos os pontos de acesso à ciclovia, um na Delfim Moreira, outro no Leblon, outro na Prefeito Mendes de Morais, em São Conrado, e mais alguns perto dos acessos ao Vidigal, mas isso até se explica em razão do próprio local onde ela foi construída: não faz sentido querer sair da ciclovia e entrar na Niemeyer, que é estreita e movimentada. Mas o mais preocupante é que não havia nenhum policiamento por toda a extensão da via, aí é fácil acontecer isso.

Ah, mas ela fica sobre a pedra e lá embaixo tem o mar! E aí, eu posso cair? Não, as grades de proteção têm mais de um metro de altura, então só cai no mar quem se jogar. Por outro lado, há lugares em que não há grades de proteção separando a ciclovia da rua, só o desnível de mais de meio metro entre ambas, então dificilmente um carro vai invadir a ciclovia, mas é bem possível que um ciclista ou pedestre (é uma pista compartilhada) caia na via e seja atropelado sim. Tem de ver isso aí.

Aliás, ser uma pista compartilhada significa que pedestres e ciclistas ficam constantemente disputando espaço, e volta e meia surgem pessoas bloqueando toda a via. Além disso, há os famosos pilotos que aproveitam as ladeiras para tentar quebrar a barreira do som com suas bicicletas como se não houvesse mais ninguém por ali. Enfim, nada que não seja corriqueiro nas ciclovias da Zona Sul. Quem já tem certa experiência não vai estranhar, mas os não habituados ao pedal precisam ficar atentos.

E qual é, afinal, o tamanho dessa brincadeira? Só depende de onde você, leitor curioso. Vamos aos números: se você só quer subir e descer a ciclovia Tim Maia, serão oito quilômetros (quatro para a ida, mais quatro para a volta). Se você quiser esticar por São Conrado, serão mais 1.600 metros para cada perna, ou seja, mais 3,2 km. Desde o Arpoador até São Conrado, ida e volta, serão 17,6 km. Se o lance for começar e terminar lá no Leme, aí você terá razoáveis 26 quilômetros de pedal, ao todo, e se você quer passear por toda a orla do Centro e Zona Sul, desde o aeroporto Santos Dumont, serão 23 quilômetros só de ida passando pelo Calabouço, Glória, Catete, Flamengo, Botafogo, Leme, Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon, Vidigal e São Conrado. É muito, mas pode acreditar: vale o passeio.

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