Micos

O prédio onde eu moro fica perto de uma mata, e nela vivem muitos micos. São da espécie Callithrix penicilata, também conhecidos como sagui-de-tufos-pretos, mico-estrela, ou simplesmente sagui. São pequenos, com comprimento em torno de 30 centímetros, sem contar a cauda, e sua população tem aumentado devido à ausência de predadores naturais e à abundante fonte de comida, porque muitos vizinhos os acham umas gracinhas e gostam de ir até o playgorund para alimentá-los com frutas.

Isso tem gerado dois inconvenientes, basicamente: os saguis têm espantado os pássaros da mata e muitos deles (pombos, inclusive) têm se refugiado no prédio, fazendo seus ninhos nos nichos de ar condicionado dos apartamentos, onde é quente e protegido; além disso, eles estão se adaptando à rotina de ser alimentados pelos moradores, e por isso vêm invadindo o playground quase todas as manhãs, procurando o pessoal que vai descolar aquele lanchinho 0800 para eles.

Por esta razão, ontem de manhã a Fê e eu fomos surpreendidos por uma visita inesperada: um sagui estava na sala, perto da porta da cozinha, possivelmente procurando alguma coisa para fazer uma boquinha. Quando ele nos viu, voltou correndo para a varanda, e aí eu descobri que ele estava acompanhado, porque outros dois saguis estavam fazendo a guarda e vigilância do local, um em cima da rede e outro na grade do parapeito.

Flagrante dos dois que estavam de campana acobertando a ação do elemento que se evadiu do local

Flagrante dos dois que estavam de campana acobertando a ação do elemento que se evadiu do local

(“Mas como eles chegaram até ali”, a Fê me perguntou. Acho que não foi difícil. Nós moramos no primeiro andar e há muitas árvores no play. Eles alcançaram alguma varanda por uma dessas árvores e foram passeando até chegar na nossa, que tem telas de proteção cujas tramas deixam espaço mais que suficiente para os bichinhos passarem, Como a porta da varanda estava aberta, o indivíduo foi entrando sem a menor cerimônia, se sentindo em casa.)

Aí ficamos nós três (Fê, João Guilherme e eu) do lado de dentro, espiando os miquinhos e eles, do lado de fora, também nos olhando pensando no que fazer, provavelmente meio chateados porque não rolou lanche. Um deles pulou para a janela do quarto do João e eu corri para lá para fechá-la, depois ele foi pra janela do meu quarto, aproveitando as telas de proteção, e eu fui junto para fechar aquela janela também. Sacanagem com o bichinho, eu sei, mas, numa boa, nós não queríamos nenhum mico-estrela fazendo bagunça dentro de casa.

Eles continuaram brincando mais um pouco, e deu para perceber que eles estavam se divertindo com as redes de proteção, até que cansaram e foram embora tentar se dar bem com algum vizinho. João adorou ver os miquinhos claro, mas não o deixamos chegar perto porque ele podia ser mordido. E depois ainda tivemos de lavar o xixi deles da varanda – ainda bem que só tinha no chão, e não na rede.

Um comentário sobre “Micos

  1. Praga urbana já fora de controle, me disseram certa vez. Micos, jacas e outra coisa que esqueci agora.

    Deve ser amendoeira. Eu não sabia que jaca era praga urbana.

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