De boa na lagoa

Em uma tarde de sábado absolutamente prosaicas, daquelas em que não temos – e nem queremos ter – absolutamente nada para fazer, João Guilherme estava brincando com seus carrinhos no chão da sala.Ele havia montado um congestionamento típico, com vários carrinhos enfileirados enquanto ele fazia barulhos de buzina com a boca ao mesmo tempo que cantarolava uma musiquinha que eu não conseguia entender – nem sei se é uma música que existe ou se é invenção dele, eu lembro que quando era criança eu inventava muitas musiquinhas e ficava cantarolando baixinho, também.

Ele parecia estar se divertindo, totalmente imerso na brincadeira. Ajoelhado no chão ele ia de um lado para outro, empurrava os carrinhos, falava sozinho, estava totalmente imerso no seu mundo. Aí eu perguntei:

– E aí, filho, de boa na lagoa?

Nem sei por que falei isso, na verdade. Eu não sou muito fã de expressões como essa, acho bocós. Deve ser porque desde sempre eu fui acostumado a falar como um adulto, porque ninguém gostava de gírias em casa, quando eu era criança. Mas dessa vez, quando eu vi, já tinha dito.

Aí João Guilherme parou, olhou para mim com uma cara meio espantada, abriu um sorriso e falou:

– Tô de boa na lagoa, tranquilo igual um esquilo!

Não deu pra não rir, mesmo sem saber direito do que estava rindo. Não sei se foi da surpresa diante da pergunta, já que eu tinha falado com ele na “linguagem dele”, ou da espontaneidade da resposta, mas foi muito legal. Aí eu me sentei, perguntei se podia brincar com ele e voltei um pouco no tempo, para os dias em que era eu mesmo que fazia minhas perseguições de carros à lá CHiPs, cheias de ação, com capotagens, batidas e explosões. Bons tempos em que engarrafamento na estrada era só no domingo à noite, na volta do feriadão.

2 comentários sobre “De boa na lagoa

  1. Sinal dos tempos, crianças brincando de engarrafamento…

    Eu diria “parem o mundo que eu quero descer”, mas já está tudo parado mesmo.

  2. Hahahahaha… Garoto esperto.
    Na minha época eu brincava de corrida de F1, com várias ultrapassagens. Hoje em dia que a F1 não tem mais graça, melhor brincar de engarrafamento mesmo.

    Ele é um filho do tempo dele.

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