Ludopédio (ou balípodo)

Quem, como eu, é vascaíno e está próximo dos quarenta anos, viveu uma juventude feliz em termos futebolísticos. Façamos as contas: entre 1989 e 2003 o Vasco ganhou cinco campeonatos estaduais (92, 93, 94, 98 e 2003), três campeonatos brasileiros (89, 97 e 2000), um Torneio Rio-São Paulo (99), uma Copa Mercosul 2000) e uma Libertadores, conquistada no ano do centenário do clube (98). Foi um período de muitas alegrias, de fato.

Mas a partir de 2003, parece que viramos alguma esquina errada na vida, porque tudo passou a dar errado. As vergonhas e humilhações se sucederam de tal forma que constatei, com pesar, que nos últimos doze anos, até o domingo passado, eu tinha comemorado mais acessos à Série A (dois) do que títulos no futebol (um), uma situação absolutamente impensável dez anos antes. Essa conquista solitária foi a Copa do Brasil de 2011, que, por sinal, foi um ano de exceção diante da mediocridade que havia se tornado a regra dos anos anteriores (e acabou se tornando um ponto fora da curva, considerando o que viria pela frente).

O fato é que, desde o fim de 2003, a minha vida futebolística foi só derrota, uma pindaíba de dar gosto, e durante este período eu ainda tive de acompanhar a evolução dos rivais – sem deméritos, eles fizeram a parte deles e nós não fizemos a nossa: quem não tem competência, que não se estabeleça.

Mas aí eis que, depois de quatro anos, vencemos um título! Um campeonato que não vale muita coisa, é verdade, mas um título é sempre um título, e isso faz bem para a autoestima, principalmente quando a moral está por baixo (taí o público que compareceu ao Maracanã, que não me deixa mentir). E, francamente, só tem uma coisa melhor que ser campeão: zoar quem não foi! Devolver as provocações, inventar factoides, rir da cara dos amigos que passaram os anos anteriores sacaneando os vexames, enfim, exorcizar os micos do passado.

Só que, no meu caso, não. Não sei se foi a emoção ou muito azar, na segunda de manhã acordei muito mal. O corpo todo doía, fiquei de cama, não fui trabalhar e não consegui zoar ninguém. Ninguém! Nem uma piadinha. Nem um tapinha nas costas. Até deu pra fazer uma graça pelo WhatsApp, mas não é a mesma coisa, sabe?

Bom, vou ter de esperar o próximo título para poder exercer minha verve pândega com os diletos amigos. Só espero que isso aconteça bem antes de quatro anos. Enquanto isso…

VASCO!

VASCO!

Um comentário sobre “Ludopédio (ou balípodo)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s