Birdman ou a inesperada virtude da ignorância

Pintou o campeão! Este foi o primeiro pensamento que me veio à cabeça depois de assistir “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”, porque eu não tenho dúvida de que o Oscar de melhor ator deste ano vai para Michael Keaton. E já vou logo avisando que o post é um grande spoiler, portanto, se você não quiser saber mais, cliquei aqui.

birdmanposter

Keaton interpreta Riggan Thomson, ator cinquentão celebrizado entre o fim dos anos 80 e início dos anos 90 por ter atuado na franquia de filmes do herói de ação “Birdman” que hoje, vinte e tantos anos depois, resolve montar uma adaptação do conto “Sobre o que falamos quando falamos de amor”, de Raymond Carver, na Broadway para mostrar a todos (e, mais importante, a si próprio) que é um ator de verdade, e não só uma celebridade. A referência ao período de estrelato do personagem é quase autobiográfica: Michael Keaton estrelou “Batman” e “Batman – o Retorno” em 1989 e 1992, período no qual atingiu o ápice da fama para depois sumir de cena e iniciar, anos depois, um retorno (ele atuou muito bem em “Robocop“, dirigido por José Padilha, ano passado.

O filme se passa nos dias que antecedem a estreia da montagem, e mostram as dificuldades para montar o elenco, a insegurança de Riggan, a petulância e autoconfiança do ator arrogante e premiado contratado para dar credibilidade a peça (Edward Norton), a amedrontada coadjuvante, estreante na Broadway (Naomi Watts), o relacionamento de Riggan com sua filha recém saída da reabilitação que atua como sua assistente (Emma Stone com uma cara de junkie que ressalta seus olhos azuis enormes) e com seu amigo/empresário/advogado (Zach Galifianakis), que se vira para ajudá-lo a montar a produção. Aliás, preciso comentar que estou surpreso em perceber que Zach Galifianakis sabe atuar! Ele é muito melhor do que aqueles papéis idiotas de “Se Beber Não Case” 1, 2 e 3 ou de “Um parto de viagem”.

O mais legal do filme são a atuação de Keaton, que faz um personagem constantemente atormentado pelo fantasma do herói de ação que ele viveu e tenta demovê-lo da ideia de buscar outro rumo para sua carreira e a forma como ele foi filmado. Tudo é gravado em um único take de câmera, bem ao estilo “Festim Diabólico”, de Alfred Hitchcock, e acompanhado por uma trilha sonora constante de bateria de jazz, que se intensifica em diversas situações. “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância” é um dos melhores filmes do ano e para mim não tem para ninguém: Michael Keaton já ganhou o Oscar de melhor ator. Com toda a justiça.

2 comentários sobre “Birdman ou a inesperada virtude da ignorância

  1. A referência antispoiler do filme do Bob Esponja foi bem melhor que a desse filme. Acho que não vou assistir Bob Esponja, mas este vou assistir, definitivamente, porque a alternativa é muito ruim.

    Qual é o problema do alerta antispoiler?

  2. De fato, Michael Keaton estava excelente interpretando Riggan Thomson. Em um ano normal, ele venceria o Oscar de Melhor Ator. Contudo, ele teve a infelicidade de concorrer com Eddie Redmayne que interpretou Stephen Hawking em A Teoria de Tudo. Não tinha como Eddie Redmayne não ganhar com o show de interpretação. Acrescente-se o fato de que a academia de Hollywood tem por hábito premiar os atores que promovem verdadeiras metamorfoses. Em suma, não foi um ano normal e a vitória de Eddie Redmayne foi merecida.

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