Sobre a crueldade da vida

A vida não deveria fazer certas coisas com certas pessoas.

Uma moça que eu conheço ficou grávida. Não somos amigos, mas temos contato frequente, e assim foi impossível não acompanhar a gravidez dela, fazer uma piadinha ou outra sobre o bebê, a barriga e o que estava por vir quando a criança nascesse. Um pouco a cada dia a barriga dela foi ficando maior e ela inteira, mais redonda. Vi as dificuldades crescentes de locomoção, escutei as reclamações por falta de posição confortável e pelo peso extra que ela carregava, tudo absolutamente normal.

Até que um dia, segundo me contaram, ela mencionou um mal estar e foi procurar um médico. Ele a examinou e a encaminhou para o hospital, para uma cesareana de emergência. A criança, um menino, nasceu muito mal e foi para a UTI neonatal; ela passou por alguma complicação durante a cesareana, foi submetida a outra cirurgia e também foi levada para a UTI.

O menino não resistiu e faleceu pouco menos de 48 horas depois de nascer; a mãe, até onde eu soube, permanecia internada na UTI, mas já estava estabilizada. Por estar hospitalizada, ela não compareceu ao sepultamento do filho, essa tarefa infeliz ficou a cargo do marido, que, de uma hora para outra, viu seu mundo desabar, porque perdeu o filho recém nascido e quase perdeu a mulher de uma só vez.

Eu nunca vou conseguir traduzir a angústia que eu sinto com o horror dessa situação, nunca vou chegar perto de imaginar a dor que essa família que mal tinha se formado e já se desfez sente. Não consigo pensar em nada mais apavorante e desesperador do que ter de enterrar um filho, ainda mais um filho que acabou de nascer. Até escrever sobre isso está sendo difícil, porque a única coisa em que eu penso sobre essa história é no casal chegando em casa sem o filho que devia estar com eles, encontrando o quarto do bebê pronto para recebê-lo nos primeiros passos de uma vida que deveria ser longa, mas já acabou. Não haverá brincadeiras, não haverá músicas de ninar, não haverá banhos, não haverá fotos, não haverá aniversários. Só silêncio e dor, uma dor na alma que pode até ser escondida com o tempo, mas não vai passar nunca.

Torço, do fundo do coração, que o casal encontre conforto e seus corações sejam consolados. E que a vida, que foi tão cruel com eles, da forma mais tenebrosa, lhes dê uma nova chance em breve. Que fiquem em paz.

Um comentário sobre “Sobre a crueldade da vida

  1. Eu tive uma mochila da Company preta. Queria ter a jeans, mas meus pais não deixaram porque podia molhar. Sacanagem.

    Realmente é uma crueldade, mas acho que você comentou no post errado…

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