Maracanã ao pé da letra

– Domingo, eu vou ao Maracanã…

– Mas pai, hoje é sábado.

– Eu sei, João, mas a letra da música é assim então nós cantamos assim.

– Tá.

*         *          *

– Eu não vou de cadeira numerada, vou sentar na arquibancada pra sentir mais a emoção…

– Mas pai, a arquibancada é cheia de cadeiras.

– Eu sei, João, é que a música é antiga e naquele tempo não havia cadeiras nas arquibancadas.

– Ah, tá.

*          *          *

– O Maraca é nosso, a-ha, u-hu!

– Nós compramos o Maracanã, pai?!

– Não, João, claro que não. Nós gritamos assim pra dizer para a torcida adversária que quem manda aqui somos nós, que nós somos mais fortes, que eles não têm chance, que nós vamos ganhar, que aqui é a nossa casa, entendeu?

– Mas pai, nossa casa é em Copacabana!

– Eu sei, João! Isso é modo de dizer! Não é a nossa “casa”, onde fica o seu quarto, é a nossa cidade, o Rio de Janeiro, onde fica Copacabana, onde nós moramos. Entendeu?

(Sem nenhuma convicção) – Entendi…

Tem de ser tão literal? De tantas outras coisas em que João Guilherme podia parecer com a mãe, ele tinha de ser igualzinho a ela logo nisso?!

4 comentários sobre “Maracanã ao pé da letra

  1. “Porque o meu time bota para ferver…” Por isso que tá calor aqui, pai?

    Isso ele não perguntou, mas eu gostei. Foi engraçado.

  2. Calma. O garoto só tem cinco anos. Quando crescer, melhora.

    Não sei, eu olho para ele, olho para a mãe e me dá uma angústia…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s