Bem Bonito

Eu mencionei na semana passada que Bonito é provavelmente o destino turístico mais organizado do Brasil, e isso não é nenhum exagero, como o leitor poderá perceber ao longo desta série. Tanta organização e eficiência podem ser verificadas na rede hoteleira da cidade, que não é propriamente suntuosa, mas atende bem às expectativas do turista. Como dizia o Fernando Vanucci, é “simplezinha mas bunitinha!”.

Depois de ver quando e como ir até Bonito, hoje vou falar sobre outras providências preparatórias para uma viagem tranquila.

O QUE LEVAR

Basicamente, as atrações de Bonito são divididas em duas categorias: rios e cavernas. Isso significa que o turista vai caminhar bastante e/ou se molhar. Portanto, é importante levar roupas feitas de tecidos que sequem rápido, como camisas dry-fit, calças ou bermudas de tactel ou similar e calçados confortáveis, abertos, como papetes, ou com tecido que permita escoamento rápido de água. Sunga, calção, maiô ou biquíni também são fundamentais, além de boné e óculos de sol.

Dependendo da época do ano, ouça a sua mãe e leve um casaquinho para a noite. Uma capa de chuva também pode ser útil. Em abril, quando fomos, fazia calor de dia, sempre em torno dos trinta graus; à noite a temperatura caía um pouco mas não chegava a fazer frio, ficava bem agradável, perfeito para ficar em um boteco bebendo e jogando conversa fora ou para tomar um sorvete em uma das várias sorveterias da cidade.

Há, ainda, outros dois itens que não podem ser esquecidos de jeito nenhum, e que devem acompanhar o turista em cada passo dado em Bonito: filtro solar e repelente. As atrações turísticas de Bonito não estão na cidade, mas dentro de fazendas um pouco afastadas, no meio do mato, então os insetos, mosquitos, principalmente, são companhia constante. Vá por mim, nem pense em dispensar o repelente, você vai se arrepender.

ONDE FICAR

A rede hoteleira de Bonito é ampla e organizada. Em geral os hotéis são simples mas confortáveis, e suas diárias incluem café da manhã. É importante confirmar se os quartos têm ar condicionado, e os conectados devem procurar se informar sobre wi-fi gratuito, porque a cobertura 3G na cidade é virtualmente inexistente.

Nós decidimos nos hospedar no Hotel Pousada Caliandra, depois de pesquisar na internet – há vários sites nos quais se pode obter informações mais detalhadas, como o Portal Bonito. O Caliandra fica na rua 29 de Maio, que reúne muitos hotéis da cidade, e o achamos simples mas honesto, com um bom café da manhã, quartos impressionantemente limpos, ar condicionado em ordem e wi-fi eficiente, mas sentimos falta de uma área de convivência, uma “sala de estar” para passar o tempo depois de voltar dos passeios do dia, já de noitinha. Por isso nossa opção para as noites era sempre ir para a rua.

Muitos hotéis oferecem um serviço que é uma mão na roda para quem não está de carro na cidade: o traslado desde o aeroporto de Campo Grande, feito com vans atreladas a reboques para a bagagem, e dos hotéis até os locais das atrações. É prático e seguro, e muita gente parece usar, considerando a quantidade delas que vimos trafegando pela BR-060, mas um tanto caro (o preço varia de acordo com o hotel, então vale a pena pesquisar), mais até do que o aluguel do carro por um período de quatro dias, porque paga-se por cada deslocamento. Mas, considerando que o turista não vai fazer muito mais em Bonito do que visitar as atrações ecoturísticas do local, pode valer a pena.

ONDE E O QUE COMER

Muitos restaurantes oferecem carne de jacaré, que tem aspecto de peixe e consistência de frango, mas o réptil não é criado em Bonito, mas sim em Fortaleza. Teve gente que até nos desaconselhou a comer, porque não valeria a pena.

Para encontrarmos um lugar legal para comer recorremos à boa e velha propaganda boca a boca, e foi assim que chegamos à Casa do João e ao Cantinho do Peixe. O primeiro é famoso na região e serve comida caseira em porções fartas; o segundo tem um jeitão mais bistrô, mais charmoso e imtimista. Muita gente se encontra lá à noite, depois dos passeios do dia.

Vale a pena mencionar também o Taboa, o barzinho mais descolado da cidade, com sua fachada e paredes de madeira todas rabiscadas com declarações de amor, recados, lembranças de “fulano esteve aqui dia tal”, frases de efeito e similares. Tem música ao vivo e fica bem movimentado à noite. Lá se vende a cachaça mais famosa da região, que pode ser pura ou com guavira, uma fruta típica da região – é fortíssima, saborosa e excelente para crises de rinite, acreditem.

Recomendo, ainda, provar o sorvete assado, que várias sorveterias da cidade têm. Parece contraditório mas a concepção é simples: duas bolas de sorvete, pedaços de frutas e um pouco de marshmellow são colocados em uma tijelinha de barro e cobertos com uma massa levinha, depois isso é levado ao forno bem quente para gratinar. Quando ficar pronto, é só cobrir com castanha de caju e servir. Fica bem gostoso mesmo.

Sorvete assado: bem gostoso

Sorvete assado: bem gostoso

E não posso encerrar esse tópico sem falar dos bombons da Dona Margarida, uma senhora super simpática que abriu uma lojinha para vender compotas bombons recheados com frutas típicas do cerrado sul matogrossense como jaracatiá, guavira, castanha de cumbarú e goiaba do mato mas ainda sai às ruas à noite carregando seus bombons em uma cesta. Para quem se interessar, a loja dela fica na Rua Senador Filinto Muller, 699, Centro.

O QUE COMPRAR

A falta de bons souvenires à venda é o ponto fraco de Bonito. Há poucas lojas de artesanato, mas elas não têm nada de especial, nada que não seja encontrado em qualquer outra cidade. De verdade, fiquei impressionado com a falta de itens típicos à venda na região, não achei nada verdadeiramente original para trazer de lembrança, à exceção da cachaça de guavira do Taboa. Pode ser que tenha sido uma coincidência infeliz, uma entressafra devido ao fim recente da alta temporada, mas o fato é que, além da cachaça, lamentavelmente não encontrei nem uma bugigangazinha que fosse (nem uma camisetinha para o João Guilherme!) para trazer de recordação. Nisso a cidade ainda precisa melhorar.

Um comentário sobre “Bem Bonito

  1. Tão organizado que eu tô com vontade de ir lá…
    Tão honesto que avisa logo: “aqui não tem camiseta vagabunda para vender”…

    Não tem mesmo.

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