Dia 27: recordar é viver

Ao contrário do que eu imaginava, as semifinais da Copa não tiveram nada de épicas, ressalvando-se, é claro, a enrabada histórica da Alemanha no Brasil, no primeiro jogo. O segundo jogo, por sua vez, foi bem decepcionante, possivelmente por conta do que acontecera na véspera: tanto Holanda quanto Argentina não atacavam e atuaram o tempo todo com extrema cautela, com medo de levar um gol. Messi foi anulado, mas Robben e Van Persie também não conseguiam fazer nada. À medida que o final do tempo regulamentar se aproximava, então, ambas as equipes recuavam ainda mais, só esperando o tempo passar.

Veio a prorrogação e o cenário não mudou, embora os holandeses estivessem sobrando fisicamente se comparados com os argentinos. Tudo na mesma, seguiram-se os pênaltis, e dessa vez ninguém entendeu por que o técnico holandês não colocou em campo o terceiro goleiro Krul novamente. Será que ele achou que o titular Cillessen ficou queimado por ter sido substituído no jogo anterior? Será que ele achou que os argentinos não bateriam pênaltis tão bem quanto os costarriquenhos? Será que ele esqueceu?

O fato é que, desta vez, não houve ousadia e quem apareceu foi o goleiro Romero, que pegou dois pênaltis e garantiu a quarta final de Copas da Argentina, a terceira contra a Alemanha, o confronto final mais repetido da História do Mundial. Nas anteriores, uma para cada lado: vitória portenha por 3×2 em 1986 e vitória alemã por 1×0 em 1990.

Aos trancos e barrancos, sem apresentar um futebol vistoso e sem apresentações convincentes, a Argentina conseguiu chegar à final da Copa. O caminho até a final foi fácil? Foi, mas e daí? Isso foi definido em sorteio e eles não têm nada a ver com isso. Também não se pode falar nada sobre eles terem marcado só oito gols até agora – a Espanha, em 2010, chegou à final tendo marcado apenas sete gols, com cinco vitórias por um a zero. Eles foram eficientes e é isso que conta em uma competição de sete jogos.

Ainda acho que a Alemanha, que joga o melhor futebol e tem o melhor ataque da Copa (graças a nós) é favorita ao título, mas não dá pra dizer que o título já tem dono. Eu repetia desde o início da Copa que a Argentina não tinha futebol para chegar à final, e olha ela lá. E eles têm Messi e, mais importante (eu tinha esquecido de mencionar isso), o Papa. Não é pouca coisa.

Esta não vai ser a minha final dos sonhos. Eu esperava que a Holanda conseguisse alcançar a final, mas não deu, e provavelmente essa foi a despedida da geração de Robben, Sneijder e Van Persie, que, pela idade, não conseguirão manter o mesmo nível em 2018. Mas estou satisfeito porque a Alemanha, que eu sempre considerei favorita, ter chegado a sua oitava final. Preste atenção nos números: são 18 participações em Copas, com 13 semifinais, três títulos, quatro vices, quatro terceiros lugares e um quarto lugar, sem contar o resultado do próximo domingo. Esse sim é o país do futebol.

2 comentários sobre “Dia 27: recordar é viver

  1. O mais lógico e justo é a seleção alemã levar a melhor. E com exceção daquela camisa horrorosa do flamengo, dá gosto de ver eles jogando com passes rápidos e precisos.

    Concordo com tudo. O problema é que o futebol nem sempre é um esporte justo.

  2. E muito menos lógico. Mas vale a torcida, porque agüentar a marra dos argentinos caso a seleção deles vença vai ser duro…

    Valeu a torcida, ainda bem. Ganhou a melhor.

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