Dia 23: Muitos chamados, poucos escolhidos

Camisa pesa. E quando o bicho pegou na Copa, não teve zebra que desse as caras, nem aventureiros que se engraçassem. Na hora agá, os garotos foram separados dos homens e Bélgica, Colômbia e Costa Rica ficaram pelo caminho, abrindo espaço para os grandes e fazendo as previsões se concretizarem: as semifinais dos sonhos, com Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda se tornaram realidade e vão acontecer na próxima semana, terça e quarta feira, dias 8 e 9 de julho. Das 32 seleções que começaram a disputar a Copa do Mundo, além das centenas que jogaram as eliminatórias e não chegaram a vir ao Brasil, chegamos aos quatro semifinalistas, que, juntos, já ganharam dez títulos, dos dezenove disputados até hoje. É o certificado de garantia de qualidade de uma Copa fabulosa.

As seleções eliminadas hoje mereceram perder. A Bélgica, cuja fama adquirida antes da Copa não pareceu ter sido justificada no jogo contra os Estados Unidos, nas oitavas de final, voltou à realidade de ser o time enfadonho, lento e preguiçoso da primeira fase. Mesmo tendo levado um gol aos sete minutos de jogo, a Bélgica simplesmente não tomava a iniciativa da partida, não ofereceu qualquer resistência à Argentina, parecia que estava jogando um amistoso, como a França diante da Alemanha. É um engodo de time, que conquistou minha antipatia desde o primeiro jogo, já vai tarde e foi ruim enquanto durou.

Já a Argentina mais uma vez jogou mal, tanto que nem Messi apareceu, mas ganhou de novo por um a zero e voltou às semifinais depois de 24 anos. Porém, perdeu Di Maria, seu segundo melhor jogador, lesionado. Jà havia perdido Aguero também, embora este não esteja fazendo muita falta. À medida que o funil aperta, as baixas vão se afunilando, e predomina quem está melhor fisicamnete.

Mas o jogo do dia foi o da Classificação da vice campeã de 2010, a Holanda, que eliminou a Costa Rica nos pênaltis, depois do empate em zero a zero em 120 minutos. Mas o placar não reflete o que foi o jogo, de fora alguma: desde o início foi (o melhor) ataque contra (a melhor) defesa, com a Holanda dominando amplamente a partida, sem, contudo, conseguir fazer um golzinho.

Desde o início do jogo ficou claro que a postura da Costa Rica seria na base de se segurar na defesa, esperando a oportunidade de um contra ataque, apesar de sua formação teoricamente ofensiva. Aos poucos, o time foi recuando, se garantindo nas sensacionais defesas do goleiro Navas, que havia fechado o gol e o próprio corpo, e pouco antes da metade do segundo tempo o técnico abriu definitivamente mão do jogo, chegando ao cúmulo de substituir Joel Campbell, a melhor opção de ataque costarriquenha. O jogo continuou sem alterações, inclusive no que diz respeito às defesas de Navas, até o fonal dos 90 minutos.

Na prorrogação o bombardeio holandês se intensificou ainda mais, mas nada de gol. As chances perdidas se multiplicavam, com a ajuda da trave, assim como os comentários de “agora vai!” a cada descida de Robben e cada finalização de Van Persie. Até que o técnico holandês, que eu já disse que tem o time na mão, fez uma mudança surpreendente: percebendo que o jogo iria para os pênaltis, trocou o goleiro Cillessen por Kurl, que é um pegador mais eficiente do que o titular. E deu certo: além de ter pego dois, Kurl acertou todos os cantos e quase defendeu mais. Uma aula de estragéria de jogo.

Chamou a atenção, ainda, a forma física dos holandeses. Robben corria o campo todo como se não houvesse amanhã no segundo tempo da prorrogação (!), Van Persie disputava bolas na área como um garoto, e todos cobraram seus pênaltis como se não tivessem jogado intensamente por cento e vinte minutos, bem diferente do que se viu no final da prorogação com os jogadores costarriquenhos, que já estavam dando sinais de exaustão.

O último jogo das quartas foi também o último jogo, nesta Copa, da Fonte Nova, o estádio que se celebrizou pelas grandes goleadas (Holanda 5 x 1 Espanha e França 5 x 2 Suíça), além de outros placares elásticos. Apesar do zero a zero, o jogo de hoje foi um encerramento mais do que digno para uma história muito bacana nesta Copa.

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