Dia 22: Questão de coerência

Quando a Fifa definiu aquela punição rigorosa para o Luís Suárez, após a mordida no italiano Chiellini, ela se colocou em uma situação complicada: manter a corerência nas punições futuras para outros jogadores que agissem de forma violenta, propositalmente ou não. Por isso eu quero saber o que ela pretende fazer com o lateral colombiano Zuniga, que fraturou a terceira vértebra lombar do Neymar e não só o tirou da Copa, mas podia tê-lo deixado até paralítico. Considerando, claro, que ela vai fazer alguma coisa.

Neymar ser retirado da Copa da forma como aconteceu é ruim para a Seleção porque ela fica sem seu principal jogador, embora faça parte do risco do negócio e tenha de ser administrado pela comissão técnica, mas é muito pior para ele, porque além de ter sido alijado da competição, vai ficar um bom tempo sem jogar (uma estimativa conservadora fala em até 12 semanas, ou quase três meses), desfalcando não só a Seleção na Copa, mas o Barcelona também. Mais grave ainda, uma lesão dessa natureza poderia trazer consequências mais sérias, como o encerramento da carreira, e até paralisia. Felizmente, segundo a imprensa, não haverá necessidade de cirurgia. Que ele se recupere logo.

O que Zuniga fez teve consequências muito piores do que a atitude de Suárez, e ele merece punição severa. No mínimo, suspensão pelo tempo de inatividade do Neymar, além de uma multa escorchante. Se ele foi imprudente ou maldoso, isso só interessa para discutir a gravidade da pena.

Quanto ao jogo, foi a melhor apresentação da Seleção até o segundo gol; depois, o mesmo desespero do jogo contra o Chile. O melhor ataque foi a defesa, com os gols de bola parada de Thiago Silva e David Luiz, este principalmente, em atuações soberbas. Thiago Silva só não ganha nota dez, com louvor, por causa do cartão amarelo que nem amador toma que o tirou da semifinal de terça feira. Além deles, Maicon jantou Daniel Alves, que me parece ter perdido a posição. Paulinho voltou bem ao time, Fernandinho teve atuação melhor do que contra o Chile, Hulk foi incansável e sempre buscou jogo e Fred… esquece. Curiosamente, Neymar, a despeito de ser um jogador que atrai a marcação e que pode desequilibrar a qualquer momento, não vinha jogando bem, mesmo tendo batido o escanteio que gerou o primeiro gol, assim como havia sido na partida anterior, contra o Chile, e isso é um sinal de que há vida sem ele. Acho que mais complicado vai ser substituir Thiago Silva, pelo que ele vem fazendo ao longo de toda a Copa, e rearrumar o time em uma semifinal.

A Colômbia, como eu imaginava, sentiu o jogo e não contava com a agressiva marcação basileira no início do jogo, muito menos com um gol logo aos sete minutos. Eles demoraram a se recuperar, James Rodríguez foi pouco visto em campo, e só a partir do segundo gol do Brasil, lá pela metade do segundo tempo, quando a Seleção entregou o domínio do meio campo ao adversário, que eles cresceram novamente, conseguiram um pênalti convertido pelo camisa 10 colombiano, artilheiro da Copa do 6 gols. Mas ficou claro (depois de passada a tensão do jogo, óbvio) que eles não teriam forças para mais do que isso.

E ainda teve a arbitragem horrorosa, que decidiu que ninguém podia encostar em ninguém mas, por outro lado, não deu um pênalti claro para o Brasil, não expulsou Júlio César no lance do pênalti e sequer marcou falta quando o Neymar foi quase dividido ao meio pelo Zuniga. Uma lástima.

Enfim, estamos na semifinal, a primeira desde 2002, e lá vamos nós reencontrar a Alemanha, que está em sua quarta semifinal consecutiva, a décima terceira em 18 participações e em 20 Copas depois de ter ganho da França com relativa facilidade, apesar do magro placar de 1 a 0. A Alemanha dominou o jogo inteiramente diante de uma França estranhamente apática, que parecia não ter entendido que estava disputando um jogo eliminatório de Copa do Mundo. Mesmo perdendo desde os 13 minutos de jogo, o técnico não mexeu no time e, quando o fez, mexeu mal, trocando o jogador mais ativo da partida por um centroavante quando só faltavam cinco minutos para acabar o jogo. Foi como eu esperava, na primeira vez que os franceses enfrentaram um adversário de peso, o bicho pegou e a vaca foi para o brejo.

A primeira metade das semifinais dos sonhos já está completa. Vamos ver agora o que acontecerá nos dois jogos que fecham as quartas de final.

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