Dia 21: o funil tá apertando

Depois de dois dias inteiros sem futebol, amanhã começam as quartas de final da Copa. São quatro seleções americanas – Brasil, Colômbia, Costa Rica e Argentina – e quatro europeias – Holanda, Alemanha, França e Bélgica – disputando as quatro vagas das semifinais e a hegemonia mundial do futebol, atualmente dividida em 10 títulos para os europeus e 9 para os americanos.

As seleções que vão disputar as quartas de final são as vencedoras de seus respectivos seus grupos, ou seja, além de os oito grupos da Copa estarem representados até esta fase, o próximo campeão do mundo vai ter enfrentado todos os campeões de grupo do Mundial, o que demonstra o equilíbrio e o alto nível da competição. Ainda não há um favorito destacado para o título e, por consequência, qualquer um pode se dar bem nos próximos jogos – ou não.

A França, que enfrenta a Alemanha amanhã, às 13 horas, no Maracanã, mostrou que sabe se virar bem sem Franck Ribéry. Tem um ataque rápido e eficiente, com 13 gols marcados, um meio campo interessante e uma defesa que, convenhamos, não foi efetivamente testada, porque os adversários enfrentados até agora (Equador, Suíça, Honduras e Nigéria) não foram nada de mais. Os dois gols que sofreu foram feitos pela Suíça, o primeiro deles quando já vencia o adversário por quatro a zero e o segundo quando o jogo estava em 5 a 1. O jogo menos fácil foi com a Nigéria, que até tentou uma graça mas foi derrotada pelos franceses sem maiores sustos em um dos três jogos das oitavas que não foram para a prorrogação, o que é uma grande vantagem sobre o adversário: o desgaste físico e mental foi muito menor. Além disso, a França é uma das quatro seleções das quartas que nunca esteve atrás no placar nesta Copa, além da Colômbia, da Alemanha e da Argentina.

A Alemanha é um dos grandes times da Copa, joga bonito, é forte e tem muita camisa, mas assistindo aos jogos dela eu tenho a impressão de que vai acontecer alguma alguma coisa que acaba não acontecendo. Não sei, só sinto que falta algo. Marcou 9 gols e sofreu 3, tem 3 vitórias e um empate, sofreu uma virada e mostrou força para igualar o placar, inaugurou o marcador no início da prorrogação contra a Argélia e continuou atacando, mas essa prorrogação provocou um desgaste físico e mental que pode cobrar sua conta amanhã. Mustafi foi cortado e há outros jogadores, como Schweinsteiger, que saíram de campo acabados. Mesmo assim, acho que vai passar da França no que deve ser o melhor jogo das quartas.

O Brasil é a seleção mais irregular dentre as oito quarto-finalistas, e tem, junto com a Costa Rica, a pior campanha dentre as oito que vão disputar as quartas: duas vitórias e dois empates. Não é brilhante e depende de Neymar, que joga praticamente sozinho porque seu companheiro de ataque e o meio campo não funcionam, por isso ou ele volta até a intermediária para buscar jogo, o que facilita sua marcação, ou a bola chega nele por ligação direta da defesa, na qual os dois zagueiros estão jogando muito bem. Mesmo assim, ele marcou 4 dos 8 gols do time. Um problema é a direita da defesa, que é o ponto fraco do time, tanto que dois dos três gols sofridos até agora foram marcados em falhas de marcação naquele setor. Pra completar, ainda há a pressão da torcida, da imprensa, da oposição e da situação para que o time não só seja campeão em casa, mas que dê espetáculo, o que transforma a Seleção em uma bomba relógio, como demonstrou a choradeira vista no jogo contra o Chile. Pra completar, enfrentou um desgaste terrível com a prorrogação e a disputa de pênaltis. Deve ganhar da Colômbia, mas vai ser um sufoco horroroso.

A Colômbia tem apresentado o futebol mais refinado da Copa. É um ótimo time e tem em James Rodríguez um camisa 10 de ofício, um grande jogador que fez o gol mais bonito até aqui e é o artilheiro da competição, com grandes atuações nos quatro jogos já disputados. É uma seleção que joga solto, pra frente, tanto que tem 11 gols marcados, tem um ótimo meio de campo e uma defesa que ainda não foi testada – foram dois gols sofridos, um da Costa do Marfim e outro do Japão. Encarou um Uruguai esfacelado nas oitavas, ganhou nos 90 minutos sem se cansar e vai sem pressão contra o Brasil, jogando a responsabilidade do jogo para nós, até porque eles já foram mais longe do que esperavam. Mesmo assim, se marcarem um gol logo no início do jogo, salve-se quem puder.

Sobre a Argentina eu já falei, e não tenho muito a acrescentar. Tem um time bem mais ou menos, mas tem Messi, que trouxe o time sozinho até aqui e pode continuar a carregá-lo até a final. Também encarou o desgaste da prorrogação, mas neste ponto está na mesma condição da adversária.

A Bélgica finalmente jogou contra os Estados Unidos o que se esperava dela desde o início da Copa. Rapidez, agilidade, toque de bola e ofensividade – o goleiro americano Howard que o diga. O meio campo funcionou e jogou bem, organizado e bem colocado, e se mantiver a pegada vai endurecer o jogo contra a Argentina, vingando a derrota na semifinal da Copa de 86. Vai ter a torcida em Brasília a favor, por motivos óbvios. Tem futebol, mas o adversário tem Messi, e isso tem feito toda a diferença.

A Holanda volta a Salvador, onde fez sua melhor partida na Copa, querendo repetir a dose contra a Costa Rica. O técnico tem o time na mão (contra o México, nas oitavas, o time mudou de esquema tático três vezes durante a partida!), Robben está no auge, e ainda tem Van Persie. Até Sneijder, que estava sumido, muitos dizendo que ele está em fim de carreira, jogou bem a última partida, fazendo o gol de empate. Falando em gols, foram 12 marcados e 4 sofridos. Tem camisa, torcida, bom time, apesar da defesa meio dura, e é favorita contra a Costa Rica, principalmente por ter jogado menos tempo nas oitavas (matou a partida nos 90 minutos) e tido mais tempo de descanso (jogou um dia antes.

Acho que a Costa Rica já chegou onde podia chegar na Copa, mas não vou ficar espantado se ela surpreender a Holanda. Só que nesse caso ela, que tem jogado direitinho, vai encarar a torcida e a camisa adversárias, e isso não é pouco para um time sem tradição em Copas. Também está, em tese, em condição física pior, porque teve de decidir sua vaga nos pênaltis. Joel Campbell e companhia vão jogar o jogo da vida, e sua disciplina e organização táticas, aliadas a alguma habilidade e, talvez, um pouco de sorte, podem surpreender, mas se ela recuar e chamar a Holanda para o ataque, tal qual o México, vai ser complicado.

Tudo isso somado, noves fora, acho que teremos as semifinais do sonho da Fifa e de quem gosta de Copa do Mundo: Brasil x Alemanha e Argentina x Holanda. Se tudo correr dentro do esperado, esta Copa estará no caminho de entrar para a História.

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