Dia 3: surge a zebra

Quando o sorteio dos grupos da Copa colocou a Costa Rica em um grupo com Uruguai, Itália e Inglaterra, o que quase todo mundo queria saber era que campeão do mundo ficaria de fora já na primeira fase. Ninguém, eu inclusive, se preocupava muito com a Costa Rica, que não daria nem pra saída no grupo e só serviria mesmo para fazer o saldo de gols das outras três seleções, que disputariam a briga pela classificação.

Quem pensou assim quebrou a cara espetacularmente ontem, depois da exibição costarriquenha diante do Uruguai. Não que tenha sido um recital de futebol, mas foi uma apresentação de um time que levou a competição e o adversário a sério, mostrou disciplina e vontade de ganhar o jogo, ao contrário do Uruguai, um time envelhecido, lento, displicente e preguiçoso, nem aí para o adversário: a postura do time em campo era nitidamente a de que eles sabiam que podiam vencer quando quisessem porque, afinal, era a Costa Rica. Bem feito.

No início do jogo, essa impressão era bem coerente mesmo, porque a Costa Rica veio armada em um 5-4-1 esquisito, que indicava que o time não tinha mesmo grandes pretensões além de sobreviver aos noventa minutos levando o mínimo de gols possível – preferencialmente, nenhum. Por outro lado, o Uruguai, embora com sua força quase máxima (só Luisito Suárez, o herói de 2010, foi vetado por ainda não estar totlamente recuperado de contusão), não mostrava nenhuma vontade de jogar bola, o que irritou não só a torcida, mas também os espectadores no estádio e pela televisão e até a equipe de transmissão da televisão. Depois de converter um pênalti (para mim bem marcado), Cavani fez um a zero e parecia que o jogo tinha acabado. E ainda estávamos na metade do primeiro tempo.

Mas no segundo tempo a Costa Rica percebeu que o bicho não era tão feio e resolveu arriscar. Não faria mesmo muita diferença, porque já estava mesmo atrás do marcador. Redistribuiu os jogadores em campo, antecipou a marcação e Joel Campbell, o dono do jogo, encontrou espaço para atuar e empatou, desnorteando o adversário. Pouco depois a Costa Rica virou o jogo em um impedimento de televisão, quer dizer, aquele que só se percebe depois do quinto replay, e ainda conseguiu ampliar a diferença. O Uruguai ainda teve a primeira expulsão da Copa, após uma agressão gratuita de Maxi Batista, fechando de forma melancólica sua primeira partida do grupo.

Se antes a preocupação era qual campeão do mundo ficaria de fora no grupo D, hoje a pergunta já pode ser estendida ao plural, porque a Costa Rica arrancou na frente e mostrou que não é a coitadinha que se imaginava no início. Pode até não ganhar da Itália e da Inglaterra, que fizeram um ótimo jogo ontem, mas também não está no Brasil para passear, ao contrário do Uruguai, que, pelo que jogou ontem, parece que veio aqui só pra fazer turismo mesmo.

Um comentário sobre “Dia 3: surge a zebra

  1. Se o Uruguai não tomar vergonha na cara, vai posar de Costa Rica…

    Eu já não esperava muito deles, agora então…

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