Get your kicks

A Rota 66 foi uma rodovia que integrou o United States Highway System, sistema que organizava as antigas rodovias que cortavam os Estados Unidos. Foi inaugurada em novembro de 1926 e se estendia por quase quatro mil quilômetros cortando oito estados, desde Illinois até a Califórnia. Nela surgiram o primeiro McDonald’s (opa!) e o primeiro motel (opaaa!!) do mundo, e ela também foi eternizada pelo movimento beatnik, em especial por causa do livro “On the road”, de Jack Kerouac.

A estrada deixou de fazer parte do USHS em 1985, e atualmente não existe mais como uma rodovia uniforme. Anos depois do abandono, entusiastas da estrada iniciaram um movimento que tinha por finalidade restaurar as memórias daqueles que queriam fugir do conservadorismo da Costa Leste dos EUA e cruzavam a Rota 66 em busca modernosa e liberal Califórnia, que tinha sol, party on e rock’n roll o tempo todo. Esse movimento aos poucos foi se organizando e culminou no surgimento da “Historic Route 66“, que reúne fragmentos da estrada original e é reconhecida pelo governo americano como marco cultural, histórico e turístico dos Estados Unidos.

A Rota 66 começava em Chicago e terminava em Santa Monica, uma cidade praiana na periferia de Los Angeles, e é isso o que nos traz até este post. Uma das minhas metas na viagem era ir até o marco final da estrada, só para ver onde ela terminava, aquela coisa “eu estive lá” – tietagem de estrada, vejam só! Tem de ser muito fissurado por carro e em dirigir pra fazer questão de visitar o marco final de uma rodovia. Mas, convenhamos, não é qualquer rodovia que tem até desenho animado em sua homenagem.

Fazia um sol danado quando fomos para Santa Monica, uma cidade da região metropolitana de Los Angeles que tem uma praia bem bacana, com uma faixa de areia enorme, o cais construído em 1908 onde até hoje está o Pacific Park, o primeiro e mais antigo parque de diversões de toda a Costa Oeste americana, que tem uma roda gigante enorme, e não um, mas dois pontos identificados como o marco final da Rota 66. Não há, até hoje, consenso sobre o local exato em que a estrada terminava, o que acaba gerando confusão entre os turistas.

Pesquisando na internet, encontrei este blog escrito por um cara que cruzou toda a Rota 66, e fez, pra mim, o melhor relato sobre a viagem. Segundo o post, o final da rodovia fica no final do Santa Monica Boulevard, no cruzamento com a Ocean Avenue. Lá deveríamos encontrar essa placa:

Essa placa deveria estar no final da Rota 66 (Fonte: "SuperSogra"

Essa placa deveria estar no final da Rota 66 (Fonte: “SuperSogra”)

Mas em outubro de 2013, quando estivemos lá, não havia placa nenhuma. Note que na foto é possível ver o reflexo de um telhado amarelo: é o quiosque de informações ao turista, que também vende vários souvenires da Rota 66. Mostrei a foto para a mocinha simpática que atendia ali e ela disse não conhecia a placa; por outro lado, ela indicou outra, que ficava a cem pés (mais ou menos 30 metros, por que eles não adotam o sistema métrico decimal de uma vez?) à direita. Fui lá e encontrei uma placa de bronze no chão, homenageando o humorista Will Rogers, em cuja memória batizaram a Rota 66, mas sem nenhuma menção objetiva quanto a ali ser, mesmo, o final da rodovia.

a placa de bronze que homenageia Will Rogers

a placa de bronze que homenageia Will Rogers

A Ocean Avenue, porém, não é a avenida que margeia a orla. De lá, para se chegar à praia, deve-se descer uma escadaria, atravessar uma passarela que cruza a Pacific Coast Highway (nome local da Rota 1) e caminhar um bocado por aqueles calçadões com ciclovia iguaizinhos aos que vemos em filmes e na televisão. Na praia, o Pier se destaca na paisagem, à esquerda, e nele há outra placa com a indicação “Fim da Rota”. Mas o Pier é de madeira desde sua construção 1908, e a placa está bem lá dentro, quase sobre o mar, então não é muito provável que a rodovia pudesse terminar ali. É provável que tenham se apropriado da fama da estrada para valorizar a atração. Na falta de informações mais precisas, fiquei com as duas fotos, mais a passagem pelo local provável onde estava a placa inexistente e me dei por satisfeito.

A placa do Pier

A placa do Pier

Superada a discussão sobre a Rota 66, fomos ver a praia, e eu nunca canso de repetir a diferença que ela faz no astral de uma cidade. Mesmo percebendo, como já tinha visto na Europa, que a praia não é um espaço democrático na Califórnia: o acesso é bloqueado por casas enfileiradas, só dá pra chegar lá de carro, gangues de surfistas expulsam violentamente os forasteiros que tenham surfar por ali sem permissão. A barra é pesada mesmo pra quem é “haole” e a água, embora não seja como a de São Francisco, ainda é fria pra burro. Parece que o Atlântico é bem mais quentinho mesmo.

Mas é um lugar bem legal. A praia tem uma faixa de areia enorme onde dá pra brincar de frescobol, frisbee, altinho, futebol americano, passear com o cachorro, correr e até pegar sol estirado em uma esteira (canga é coisa de brasileiro!). Infelizmente lá as meninas também usam aqueles biquínis enoooormes, então a composição do cenário fica meio prejudicada. Para quem não quiser ficar na areia nem dar um mergulho, o Pier é a opção: o parque de diversões tem o maior clima de quermesse e, além da roda gigante, tem montanha russa, lanchonetes, sorveterias e até gente pescando. Dá para passar um dia inteiro lá se divertindo, mas ainda há as outras praias da região para explorar, e vale a pena conhecer.

Um comentário sobre “Get your kicks

  1. Qual viatura você usou para pegar a estrada? Se você disser que foi uma minivan ou um insosso carro compacto, vai apanhar!

    Em minha defesa eu alego que não percorri a Rota 66, só fui lá ver onde ela acabava. Mas eu estava de minivan sim.

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