Quando fui a Buenos Aires com a Fê, ainda no avião vi uma coisa me chamou a atenção. Era uma propaganda de uma empresa que faz city-tours de bicicleta. Me interessei e até anotei o telefone, mas acabei esquecendo.
Aí, no segundo dia de viagem, passendo pela Rua Florida, chegamos à Plaza San Martin, uma praça grande e muito bonita, onde pretendíamos parar para descansar um pouco e tirar umas fotos. Foi quando a Fê notou um grupo de umas 5 pessoas, todas com bicicletas. Na hora lembramos do anúncio, e corremos até lá. Eram eles, o pessoal do city-tour de bike, que estavam se preparando para sair com duas meninas e um rapaz, todos de São Paulo. Dissemos que queríamos ir também, e perguntamos se eles esperariam um pouco enquanto íamos buscar as bicicletas. Ninguém se opôs, e os guias adoraram, porque o grupo – e o ganho – ia aumentar.
Quando chegamos à garagem (era uma garagem mesmo, dentro de um prédio, em que havia, em um canto, várias bicicletas meio velhas mas bem conservadas e uma pequena oficina) a minha primeira preocupação foi encontrar uma do tamanho da Fernanda (pra quem não a conhece, ela é bem pequenininha) ou, pelo menos, uma em que ela pudesse montar. Mas até que não foi difícil. Pagamos 180 pesos (os dois) para um passeio de aproximadamente 3 horas.
Buenos Aires é ótima para se pedalar. É praticamente toda plana e o trânsito é uma beleza. Apesar de não ter muitos ciclistas (aqui no Rio tem muito mais gente que anda de bicicleta), nem ciclovias, é uma cidade altamente amigável para quem anda de bicicleta, porque os motoristas e os pedestres respeitam bastante os ciclistas (um a zero para eles).
Começamos o passeio pelo Puerto Madero, atravessamos o Rio da Plata pela Puente de la Mujer e fomos em direção à Reserva Ecológica (que, na verdade, é um mangue muito do caído). Mas aqui foi a melhor parte da pedalada, porque a guia (uma menina muito simpática que adorava cantar a mesma música sem parar, que um dos paulistas disse ser do Rebelde) resolveu comentar com a Fernanda que, na véspera, outro brasileiro a havia chamado de gostosa, e que ela não sabia o que isso queria dizer. Aí a Fê tentou explicar, e eu morri de rir, porque por mais que ela se esforçasse, nada de a outra entender que “gostosa” é “gostosa”, até que eu olhei para ela e disse “caliente”. A coitada da guia ficou roxa.
Rodamos a cidade inteira, com direito a um lanche no bairro da Boca. Passamos por quase todas as atrações turísticas de lá, menos o bairro de Palermo, que é mais distante, vimos Buenos Aires por um ponto de vista totalmente diferente dos city-tours tradicionais de ônibus, e bem mais divertido (e menos cansativo) que andar tudo aquilo a pé. No fim, valeu muito a pena, e ainda rendeu uma ótima história pra contar aqui no blog.