Acho terrivelmente lamentáveis e de profundo mau gosto as piadinhas sobre a doença recém-dectada do ex-presidente Lula. Duvido que algum imbecil que está tirando ondinha de engraçaralho pra cadinho fazendo piadinhas cretinas sobre o câncer e o SUS tenha, alguma vez na vida, experimentado a dor excruciante de receber a notícia de ser portador de uma doença grave, de tratamento difícil e que provavelmente vai causar a própria morte – e eu não estou falando só de câncer, falo de todas as doenças que cobram um preço absurdo de quem as tem: câncer, esclerose múltipla, lúpus, parkinson e tantas outras. Não acredito que algum deles tenha olhado nos olhos das famílias e visto o desespero de pais, irmãos ou filhos, ao saberem que vão enfrentar uma luta árdua, cansativa e dolorosa que pode ser perdida. Quero ver quem deles experimentou na própria pele o sofrimento de uma químio ou radioterapia, ou outros tratamentos horrivelmente agressivos, que às vezes não resolvem, enquanto a doença segue avançando, matando aos poucos, sem muito o que fazer.
Nâo, eu não tenho câncer, nunca tive e não quero saber de ter. Também não sou fã e defensor incondicional do ex-presidente. Mas tenho educação, conheço quem tem a doença e vi gente morrer por isso, vi a agonia deles e dos familiares, e até em respeito ao que eles passaram eu prefiro dar uma palavra de incentivo ou mesmo o silêncio parceiro. Nunca me permiti fazer piada com a doença dos outros. Comemorar ou torcer pelo sofrimento alheio é o ponto mais baixo a que o “cerumano” pode chegar.
Pra mim, a melhor coisa que já foi dita a respeito assunto está neste post, um relato bastante sincero de alguém que sabe bem do que está falando, porque convive com a esclerose múltipla todo santo dia. Vale a pena a leitura. E tenham respeito, por favor: se não é pra incentivar, calem a boca e saiam de perto.


