Arquivo para a categoria 'Ninguém merece'

24
mai
12

Compra de cadastro

Recebi ontem um torpedo SMS com a seguinte mensagem:

PARABENS EDUARDO vc foi sorteado com uma bolsa de 50% em QUALQUER curso, na promocao mes das maes CEBRAC, Ligue agora para para (21) xxxx-xxxx informando o codigo T23.

Só de curiosidade, fui verificar e descobri que o tal Cebrac é o Centro Brasileiro de Cursos, sediado na Ilha do Governador, perto de onde eu morava. Lá são ministradas aulas de informática, contabilidade, “empreendedorismo”, recursos humanos e mais algumas coisas, e o curso se auto intitula “Escola de Campeões”, trazendo no site fotos do Fernando Scherer como garoto propaganda.

Não sei por que recebi esse SMS, muito menos por que fui contemplado com uma promoção de dia das mães, se, por questões fisiológicas óbvias, eu não sou mãe (certo, o pessoal que trabalha comigo costuma dizer que eu sou uma mãe, mas isso não vem ao caso), e, além disso, o dia das mães já passou há algum tempo.

O que eu sei é que é mais um caso de compra de cadastro de dados de consumidor, prática irregular que desobedece o artigo 43, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, porque todo de cadastro de dados de consumidor que não tenha sido aberto por solicitação do próprio lhe deve ser informada, mas não dá pra saber de quem meus dados foram comprados. Podem ter sido obtidos da minha operadora de celular (cujo relacionamento está por um fio, de tão ruim que é) ou de qualquer outro lugar, porque o que mais existe por aí é empresa que ganha dinheiro vendendo cadastros de consumidores.

O problema, para o Cebrac, é que eles precisam arrumar fornecedores de cadastro melhores, porque eu, decididamente, não sou parte do público que eles pretendem alcançar (e mesmo que fosse, não faria curso nenhum lá, porque tenho a maior antipatia por compradores de cadastros). Para mim, a questão é que eu, assim como várias pessoas, não tenho paz com mensagens SMS e spams que constantemente entopem minha caixa postal e minha caixa de mensagens do celular, a maioria com promoções inúteis e que na maioria das vezes engambelam o consumidor, porque de “promoção” não têm nada.

Esses caras bem que podiam arrumar coisa melhor pra fazer, e os meus dados bem que podiam estar rodando em lugares melhores por aí.

21
mai
12

Nem GPS salva

No último fim de semana eu, Fê e JG estivemos na Costa Verde (a região do litoral sul do Estado, onde ficam Angra, Mangaratiba e Parati). Na volta, por conta de um compromisso, seguimos para a Barra, cruzando por Santa Cruz, Guaratiba e região. É um lugar que eu conheço pouco, por isso o GPS ia ter de mostrar serviço.

Só que nem eu, nem o GPS, contávamos com um detalhezinho básico: a Zona Oeste do Rio é uma das mais movimentadas, hoje, com as obras para as Olimpíadas de 2016, e a maior delas, até agora, é a do BRT, o sistema de transporte rápido por ônibus que pretende integrar a região até a Barra, que alterou todo o esquema de trânsito da região. Até aí, tudo bem.

O problema é que, com a desorientação do GPS, que não estava atualizado com as mudanças de mão e interdições de ruas, quem poderia nos socorrer? Deveria ser a prefeitura, que tinha a obrigação de providenciar sinalização eficiente, mas… nas três vezes em que me perdi, vi duas placas e só.
Se não tivesse perguntado (eu paro para pedir informação quando me perco, me julguem) provavelmente estaria rodando por lá até agora.

Eu só queria entender qual é o raciocínio do Poder Público em uma situação como essas, em que o trânsito de uma área populosa é radicalmente alterado por causa de uma obra enorme e ninguém se preocupa em sinalizar nada. Será que é porque Santa Cruz é tão distante da Zona Sul (que é só para onde o prefeito olha) que ele não precisa se preocupar com isso? Ou será que é porque andar por lá é tão fácil e evidente que placas de sinalização são um luxo desnecessário?

Prefeito, só pra lembrar, tem eleição em outubro, tá? E o senhor perdeu na Zona Oeste há quatro anos. #Ficadica.

11
dez
11

Filmografia fail

Ontem estava assistindo a uma maratona “Star Wars” na televisão quando me lembrei de uma história que aconteceu quando eu fui ver o Episódio II – “Ataque dos Clones” no cinema.

Eu estava na fila da bilheteria, lá no Botafogo “escada” Shopping. Na minha frente havia três garotos, animadíssimos para ver o filme. Um deles, o mais empolgado, querendo mostrar conhecimento para os outros, despejava um monte de informações técnicas e históricas sobre a saga, até que mandou o seguinte:

- Cara, vocé não tá entendendo! O episódio dois é o quinto filme da trilogia!

Bom, eu não entendi, e duvido que os amigos tenham entendido também…

08
nov
11

Haaaaaja pancada!

A RGT resolveu se tocar que o MMA/UFC dá uma audiência danada, e que transmitir as lutas vai dar a maior grana. Até aí tudo bem. Só que, ao invés de colocarem uma equipe de transmissão que entenda do assunto, trazendo informação relevante para o telespectador, quem foi o escolhido para encabeçar a narração, já a partir do próximo dia 12? Ele mesmo, meu querido GB. Os comentários estarão a cargo do Vitor Belfort.

Imagina só a tragédia que vai ser a transmissão das lutas por alguém que narra tudo como se fosse futebol ou fórmula 1, que acha que é gritando e usando jargões idiotas que se transmite emoção ao público (já pensaram nele gritando “pra cima deles, Anderson Silva!”?), que a informação é algo irrelevante e que brasileiro não erra, é sempre perseguido pelo resto do mundo que, por medo do nosso sucesso organiza complôs para nos prejudicar, em qualquer situação.

Porra, RGT!

06
nov
11

Pessoa jurídica

Juridiquês é um negócio engraçado. Reconheço que às vezes é muita afetação não só nós, advogados, como os operadores do direito em geral (juízes, desembargadores, promotores, defensores, procuradores) utilizarmos algumas expressões complicadas e que quase ninguém usa para nos referirmos a coisas que podiam ser explicadas com palavras muito mais simples, facilitando muito a vida de um monte de gente, só para ficar bonito.

Não tem muita utilidade prática usar “refrega” ao invés de “briga”, “relegar ao oblívio” ao invés de “esquecer”, “repetir o indébito” ao invés de “devolver o que foi pago indevidamente”, “admoestação” ao invés de “incômodo”. Você sabia que “prédio” e “edifício” são palavras distintas? “Prédio” é o terreno, e “edifício” é a construção (seja ela qual for) que está no terreno. Mas quem liga para isso?

Mas a graça do juridiquês está mesmo quando pessoas que não têm formação jurídica querem usá-lo para ficar em “pé de igualdade” (ou “paridade de condições objetivas”) com um de nós (por “nós” eu me refiro aos formados em direito). Sempre sai uma batatada, como “aviso breve”, ao invés de “aviso prévio”, “corpus christi”, ao invés de “habeas corpus” (eu já vi até um “habeas carrus”, acredite se quiser! Era para liberar um carro que havia sido rebocado em uma blitz), “usos e frutos” ao invés de “usufruto”, “usucampeão”, ou “usucapitão” ao invés de “usucapião”, e similares.

Mas teve um dia que eu ouvi a melhor. Estava conversando com um cliente, quando eu ainda tinha escritório, e ele, cheio de razão, ao discutir os termos de uma ação que queria que eu ajuizasse, em determinado momento me disse o seguinte:

- Bom, doutor, isso aí é uma coisa que vocês, pessoas jurídicas, é que podem resolver.

Estranhei, porque o escritório não era uma pessoa jurídica, não tinha CNPJ. Perguntei para ele:

- Pessoa jurídica?

E ele respondeu:

- Ué, doutor? Pessoa jurídica! O senhor não é formado em direito? Não entende dessas coisas de jurídico? Então!

Dizer o quê, nessas horas?

01
nov
11

Barbárie

Acho terrivelmente lamentáveis e de profundo mau gosto as piadinhas sobre a doença recém-dectada do ex-presidente Lula. Duvido que algum imbecil que está tirando ondinha de engraçaralho pra cadinho fazendo piadinhas cretinas sobre o câncer e o SUS tenha, alguma vez na vida, experimentado a dor excruciante de receber a notícia de ser portador de uma doença grave, de tratamento difícil e que provavelmente vai causar a própria morte – e eu não estou falando só de câncer, falo de todas as doenças que cobram um preço absurdo de quem as tem: câncer, esclerose múltipla, lúpus, parkinson e tantas outras. Não acredito que algum deles tenha olhado nos olhos das famílias e visto o desespero de pais, irmãos ou filhos, ao saberem que vão enfrentar uma luta árdua, cansativa e dolorosa que pode ser perdida. Quero ver quem deles experimentou na própria pele o sofrimento de uma químio ou radioterapia, ou outros tratamentos horrivelmente agressivos, que às vezes não resolvem, enquanto a doença segue avançando, matando aos poucos, sem muito o que fazer.

Nâo, eu não tenho câncer, nunca tive e não quero saber de ter. Também não sou fã e defensor incondicional do ex-presidente. Mas tenho educação, conheço quem tem a doença e vi gente morrer por isso, vi a agonia deles e dos familiares, e até em respeito ao que eles passaram eu prefiro dar uma palavra de incentivo ou mesmo o silêncio parceiro. Nunca me permiti fazer piada com a doença dos outros. Comemorar ou torcer pelo sofrimento alheio é o ponto mais baixo a que o “cerumano” pode chegar.

Pra mim, a melhor coisa que já foi dita a respeito assunto está neste post, um relato bastante sincero de alguém que sabe bem do que está falando, porque convive com a esclerose múltipla todo santo dia. Vale a pena a leitura. E tenham respeito, por favor: se não é pra incentivar, calem a boca e saiam de perto.

21
out
11

Otários

Olha só que barato: o Maracanã está fechado para reformas que vão sair mais caras do que se fosse construído um estádio novo. Essas reformas vão durar até 2013, para a Copa das Confederações.

Ontem a FIFA divulgou a tabela da Copa de 2014, e, surpresa!, a Seleção só jogará no Rio se, e somente se, chegar à final – o que, convenhamos, com as escalações do Mano e o desempenho ridículo da Seleção, não vai rolar.

Isso quer dizer o seguinte: o Maracanã vai ficar fechado por três anos para só receber UM jogo do Brasil, SE ele acontecer. Fantárdigo, não?

Queria saber quem foi o autor dessa ideia de jerico. Sensacional.

E o torcedor segue fazendo seu papel de palhaço…

18
out
11

Bem vindo ao Rio!

Coluna Ancelmo Góos, O Globo, 17 de outubro de 2011

Eu estava nessa fila. Meu voo havia chegado uma hora antes, então o Bonner e a Fátima estavam bem mais atrás. Eram aproximadamente mil pessoas, passageiros de 4 voos, esperando para passar pela alfândega. E só uma máquina de raios X funcionava e três agentes vistoriavam TODAS as malas de TODOS os passageiros. Como os 4 voos vinham dos Estados Unidos, a Receita Federal faria uma festa de arrecadação.

O agente que me atendeu, então, era um caso à parte. Era um senhor de idade, que abria as malas de um passageiro, começava a vistoriar e, de repente, largava tudo para ver outro, que também era abandonado no meio do procedimento.

Horas de espera. Não javia nem água nem um lugar para sentar. Dezenas de gestantes, idosos e crianças nas filas. Sem falar nos que esperavam os passageiros que estavam lá dentro, sem ter a menor ideia de quanto tempo esperar e também sem lugar para ficar.

Essa é a pocilga do Galeão.

13
out
11

Muito chato

Não dá pra levar a sério um país que não tem vans/kombis/táxis/ônibus piratas, motoboys, mototáxis, milícias, alagamentos nos dias de chuva, malabaristas de sinal nem engarrafamentos com vendedores de biscoito Globo. Como é que alguém pode viver sem os princípios da física intraonibusina moderna?!

A Califórnia é um lugar feito para se andar exclusivamente de carro. Não se usa outro meio de transporte no perímetro urbano – bibicletas aqui, só dentro do campus da universidade. São carros para todos os lados, carros, carros, carros. E mesmo assim não tem engarrafamentos, os cruzamentos são incrivelmente organizados, quase não há acidentes de trânsito, as estradas são perfeitas e não cobran pedágio! Assim não dá!

Os cruzamentos, aliás, são um espetáculo à parte: nos que há sinais de trânsito, pode-se virar à direita independentemente de o sinal estar aberto ou fechado, é só virar com cuidado. Naqueles em que não há sinal é mais legal ainda: aquele que chegar primeiro tem a preferência. Se houver carros nas quatro ruas que formam o cruzamento, cada motorista, um de cada vez, faz a sua conversão. Nunca dá confusão. Hoje, por exemplo, aqui perto do hotel o sinal do cruzamento, que é bastante movimentado, estava com defeito. Então, os motoristas agiram como se não houvesse sinal. Sem engarrafamentos, sem agentes idiotas da CET-Rio causando mais confusão no trânsito. Só educação e bom senso.

Também são poucas motos, pouquíssimas, aliás. Só as vi na estrada, e eram aquelas choppers enormes, ou então motos carenadas de alta cilindrada e muita potência. Dentro das cidades que visitei até agora, só carros mesmo. Até o entregador de pizza usa carro. Dentro da Cidade Universitária, porém, há muitas bicicletas, usadas pelos estudantes. E, para eles, há estações dentro do campus com bombas de ar, para calibrar os pneus, e ferramentas para consertos rápidos para as bibicletas. De graça.

Nos estacionamentos, as vagas para deficientes são utilizadas por deficientes, e se alguém tem um “park permit C”, que diz que só se pode estacionar nas áreas “C” (não na “A, nem na “B”, nem na “D”), ela para na… área “C”, veja só!

Tudo aqui é tão organizado, tudo funciona tão perfeitamente, que dá até raiva, de tão chata.

Essa organização toda não tem a mneor graça.

(E antes que alguém pense alguma gracinha, sintonizem o botão da ironia no máximo power plus master platinum, por favor)

29
set
11

Cegueira social

Cegueira social é como eu chamo o fenômeno pelo qual muita gente não vê ninguém quando está andando pela rua. Eu sou assim, e frequentemente passo uma imagem totalmente antissocial e mal educada por isso, às vezes acompanhada de reclamações e cobranças dos amigos mais chegados.

Não vejo ninguém mesmo! A pessoa pode estar bem na minha frente que eu vou olhar através dela, passar direto e nem tomar conhecimento, ainda que a ignorada tenha a certeza de que eu estava olhando para ela. Já aconteceu até de pararem diante de mim e só depois de alguns segundos (nos quais eu quase desviei o caminho) eu reconhecer quem estava falando comigo. Aí vem aquele constrangimento, as desculpas de sempre e, dependendo da pessoa, uma reclamaçãozinha ou uma sacaneada (em ambos os casos, estão cobertos de razão).

Mas eu juro que é sem querer. Eu nunca iria ignorar propositalmente alguém que falasse comigo na rua; mesmo quando eu não estou a fim de papo eu cumprimento rapidamente e depois fico quietinho no meu canto. Por isso, se por acaso algum de vocês me vir andando por aí e eu passar batido, por favor, não fiquem aborrecidos, porque eu não os desprezei! Eu simplesmente não os vi. Só isso.




Quem manda na área

Carioca nascido em Brasília, 36 anos, o pai do João Guilherme. Conhecido à boca miúda como o "Oráculo dos anos 80", que, para mim, não tiveram nada de "década perdida", sou destemido e temido nos quiz e joguinos de perguntas e respostas. Também sou viciado em cultura inútil. Vascaíno, adoro sorvete de creme e detesto camarão.

Mantra:

Nunca duvide da mediocridade humana - para baixo não há limites!

A foto do cabeçalho é…

Templo de Saturno, Via Sacra, Roma

Popularômetro

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Missão

Conquistar 24 territórios à minha escolha

Visão

Astigmatismo e hipermetropia, 2,75 graus no olho esquerdo e 3,5 graus no olho direito

 

maio 2012
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