Arquivo para a categoria 'Meia Maratona do Rio'

21
jul
10

2h38min31seg

Foi quase uma semana de chuva e frio, que durou até sábado à noite, véspera da Meia Maratona da Cidade do Rio de Janeiro. Eu estava preocupado, porque detesto correr nessas condições, não pelo frio, porque a temperatura baixa ajuda no desempenho, mas por causa da chuva: já imaginava os óculos cheios d’água, o tênis molhado e a meia ensopada, me deixando com bolhas que acabariam com o meu humor. Além disso, com esse tempo eu não consigo fazer um aquecimento decente, e aí o início da corrida incomoda à beça.

Além disso, eu não treinei como gostaria. Trabalho, chuva, João Guilherme (claro que não é culpa dele, coitado, mas um bebê exige muito a presença dos pais), às vezes não me deixavam treinar na frequência que estava planejando.

Isso tudo me deixou preocupado sobre meu desempenho na corrida. Algumas vezes cheguei a pensar mesmo em desistir, mas deixava pra lá.

Para tentar garantir uma noite tranquila, deixamos JG na casa da avó e fui deitar o mais cedo possível. Mas, como eu imaginava, dormi mal, por causa da ansiedade, pensando nisso tudo que escrevi aí em cima.

Às quinze para as seis encontrei o pessoal da corrida aqui na praia para pegarmos a van que nos levaria à Barra. O tempo ainda estava muito encoberto, mas a chuva tinha quase parado. Quando descemos e fomos para o local da largada para alongar e tentar aquecer, ainda chuviscava, mas dava pra ver que o tempo ia abrir. Quem ler este post até aqui e não corre vai me achar maluco: domingo, seis e meia da manhã, 17 graus, chuva fina e eu lá, amarradão, esperando a largada para correr 21 quilômetros e 97 metros, desde o posto 2, na Barra (para quem não conhece, é um pouco depois do Corpo de Bombeiros, na Av. do Pepê) até o Aterro do Flamengo. E ainda paguei por isso.

São Pedro foi parceiro, porque pouco antes da largada parou de chover, e deu pra perceber que a chuva provavelmente não ia mais voltar naquele dia. Mas a temperatura também não ia subir muito, ou seja, do ponto de vista meteorológico, era um dia perfeito para correr.

Dessa vez eu não ia correr sozinho: o Gustavo, um amigo da Street Runners, a assessoria com a qual eu treino, ia debutar em corridas longas, e estava muito ansioso. Para dar uma força para ambos (eu também não estava confiando muito nas minhas próprias condições), propus que corrêssemos juntos, em um ritmo tranquilo, e ele topou. Foi a melhor coisa que eu fiz para mim mesmo naquela corrida.

Corridas sempre têm histórias pitorescas, especialmente nos momentos que antecedem a largada. Desta vez, estávamos esperando o sinal quando três pobres moçoilas distraídas resolveram voltar da noitada pela praia. Aliás, deve ter sido uma bela noitada, porque elas estavam na mão do palhaço: uma delas estava descalça e segurando uma lata de cerveja com uma das mãos e os sapatos com a outra, maquiagem borrada e o cabelo desgrenhado, outra estava segurando um copo que ia derramando cerveja a cada passo cambaleante que ela dava, totalmente entregue. A terceira, do meio, era escorada pelas outras duas. E elas resolveram passar assim na frente de oito mil pessoas que estavam pilhadas esperando pela largada. Claro que ninguém perdoou.

Aí veio a notícia: a minha querida RGT havia mandado atrasarem a largada para poderem transmiti-la ao vivo. Ah, fala sério: atrasar a largada por causa do “Pequenas Empresas, Grandes Negócios” não é só uma puta sacanagem, é ridículo! Tão ridídulo que a organização, depois de esperar um pouco, avisou que a largada ia ser dada com ou sem autorização da RGT. Dada a largada, lá fomos nós.

Ainda na subida do Elevado do Joá, um pouco antes do primeiro túnel, mais ou menos no Km 1, pegamos chuva de novo. Foi a última vez que choveu no domingo. O asfalto era ruim, cheio de buracos que podiam causar quedas, e o túnel era um forno. Aliás, durante todo o trajeto buracos e poças d’água eram uma preocupação constante – ah, Operação Asfalto Liso…

Diferentemente da Meia Internacional do Rio, que larga em São Conrado, no pé da Niemeyer, esta corrida tem duas subidas grandes, o Joá (mais ou menos 1 km) e a Niemeyer (2 km), que você encara entre os km 5 e 6, o que torna a prova bem mais exigente. Mas correr com companhia facilitou pra caramba as coisas. Na verdade, foi muito mais tranquilo do que eu imaginava, surpreendentemente mais tranquilo, até o km 19, quando eu cansei de verdade e comecei a sentir um incômodo na panturrilha direita. Era um anúncio de câimbra. Ah, peraí, faltando 2 quilômetros não, né? Deixei o Gustavo seguir, reduzi o ritmo, achei uma zona de conforto e segui para completar a prova. Não deu pra dar um sprint no último quilômetro, como eu gosto de fazer, mas terminar era mais importante.

Meu tempo líquido corrigido foi 2 horas, 38 minutos e 31 segundos. Em termos absolutos, não consegui melhorar o tempo da Meia Internacional de 2008 (as comparações são inevitáveis), mas, na minha opinião, considerando o trajeto mais difícil e a quase-câimbra, e levando em conta que eu quase nem corri porque achava que estava mal treinado, foi bom demais.

Fico só imaginando quando JG tiver idade suficiente para me acompanhar. Será que ele vai gostar de correr? Será que ele vai querer correr comigo? Não sei, mas fico tão entusiasmado só de pensar nisso… bom, daqui a 18 anos vamos ver o que acontece.

01
abr
10

Meia Maratona do Rio – de novo!

Depois de dois anos, eu me inscrevi para a Meia Maratona do Rio. Mas esta não é a que eu corri em 2008, é a que é realizada simultaneamente à Maratona Internacional do Rio de Janeiro e à Family Run. Vai ser dia 18 de julho, uma semana depois da final da Copa do Mundo (Copa! Copa!), com largada prevista para as 7 da manhã.

(Corrida às 7 da manhã de um domingo de julho, em pleno inverno. E eu ainda paguei para isso. Ou é muita fissura pra correr ou é muita irresponsabilidade…)

A maior diferença entre esta prova e a que eu corri em 2008 é o trajeto. Naquela a gente saiu de São Conrado, foi até o MAM e voltou ao Morro da Viúva, onde estava a chegada. O detalhe dramático estava no fato de que, no Aterro, nós passávamos pela chegada (na pista sentido Botafogo) pela pista sentido Centro, seguíamos mais 3 km até o MAM e voltávamos mais 3 km até a chegada mesmo, ou seja, eu via chegada ali, do lado, e lembrava que ainda faltavam 6 quilômetros até concluir a prova.

Nesta, não: a largada fica mais longe (no Pepê, na Barra), mas não tem bate-volta no Aterro. A chegada é no Morro da Viúva mesmo, mas sem bate-volta no MAM. A vista é mais legal, com todo o Elevado do Joá e a orla do Joá e de São Conrado só pra nós, corredores. E o horário é mais cedo. Só não pode chover.

Agora é começar o treinamento. Já avisei ao Pedro. Tenho 3 meses para tentar baixar a marca anterior, de 2h38min. Simbora nóis!

15
out
08

Meia Maratona do Rio: a chegada

Imagine a seguinte situação: é quase meio dia, faz calor, o sol está a pino, você está correndo há mais de duas horas, seus joelhos dóem e ainda faltam três quilômetros pela frente. Se você imaginou, deve ter tido uma idéia do que se passava comigo naquele finzinho de meia maratona.

Mas peraí, eu já tinha chegado até ali, não era agora que eu ia parar. Só que parecia que os três últimos quilômetros duravam mais do que tudo o que eu tinha corrido até então. Devagar, quase caminhando, resolvi escolher alguém que estivesse mais ou menos no mesmo ritmo que eu para usar como referência. Mirei em um casal que estava na minha frente, e acabou dando certo. Aliás, a mulher arrancava comentários de todo mundo que assistia à corrida (das três, uma: ou ele é manso, ou é amigo gay ou se garante muito pra ficar impassível daquele jeito). Fui acompanhando os dois até que, finalmente, vi o arco de chegada. Ali eu não aguentei: dei um pique como se estivesse no início da corrida, só para completar logo. E consegui.

Completada a corrida, fui entregar o chip e receber a medalha e o “kit lanche”: uma banana, uma maçã, uma barrinha de cereal e uma garrafa d’água. Só que o cercadinho depois da chegada ainda tinha mais 500 metros de extensão! Que brincadeira!

Fui, então, para a barraca, tentando lembrar onde eu a tinha visto quando passei por ela antes. Estava tudo bem até eu tentar subir o meio-fio. Aí meus joelhos, que até aquele momento tinham sido estóicos, resolveram se vingar: doía tanto que eu não sabia se conseguiria voltar pra casa. Cheguei na barraca (achei!) quase de quatro, recebi os cumprimentos de todos, em especial da Fê (“Oi, amor! Tá cansado?”) e desabei em um colchonete, sem saber se conseguiria levantar de lá. Muito gelo e uma boa massagem depois eu já estava em condições de ficar em pé. Foi só aí que caiu a ficha, e eu comecei a ter noção do que tinha feito, e do que eu sou capaz de fazer. Afinal de contas, há um ano eu mal conseguia completar uma prova de dez quilômetros, uma meia maratona era uma meta completamente inalcançável.

14
out
08

Meia Maratona do Rio: Enseada e Aterro

A Enseada de Botafogo e o Aterro do Flamengo (em que pese o nome infeliz do bairro) são dois dos meus lugares favoritos no Rio. Uma das coisas que eu mais gosto é poder passar todo dia por ali, para ir e para voltar do trabalho, aproveitando a paisagem. Mas convenhamos, correr ali não dá.

Acontece que o Pão de Açúcar, o Cara de Cão, o Morro da Urca e a Pedra do Leme funcionam como uma parede que impede a chegada do vento do mar que viria de Copacabana, ou seja, ali não venta, o que, somado à falta de sombra na pista, torna tudo aquilo ali um forno. Por essa razão pensou-se até, nos tempos do Império, em dinamitar o Pão de Açúcar (!!) para diminuir o calor.

Aliás, como é que o Niemeyer e o Burle Max conseguiram fazer um parque tão bonito como aquele em um lugar tão quente?!

O trecho final da corrida, no Aterro, começou no Mourisco e teve 8 km, indo até o MAM e retornando até o Morro da Viúva, com sol a pino (eram 11 da manhã àquela altura), sem sombras e sem vento. Uma dilícia! E é impressionante como se sente a diferença de temperatura quando se sai do túnel em frente ao Mourisco. O bafo logo se pronuncia. Mas vamos nós.

Depois de já ter corrido 13 km, com o desgaste consequente, viria a parte mais difícil da prova, primeiro porque estava muito quente, segundo porque o “fator psicológico” influi: entre os quilômetros 15 e 16 você passa pela linha de chegada, que está do outro lado, na pista no sentido oposto do Aterro. Ou seja, a chegada está ali do lado, mas ainda faltavam pelo menos cinco quilômetros pra completar. Para quem mantivesse um pace (tempo para percorrer um quilômetro) médio de seis minutos (seis minutos por quilômetro), por exemplo, ainda faltaria em torno de meia hora para terminar a corrida. Meia hora! E eu já estava correndo há mais de uma hora e meia! Por que eu fui pensar nisso?!

Naquele mesmo ponto estaria a tenda da Street Runners, onde eu deveria receber uma garrafa de isotônico e o apoio da Fê. Mas cadê o raio da tenda?! Eu estava olhando lá na frente procurando o pessoal quando ouvi um “Eduuuuuuuuu!”; olhei e vi a Fê, lá atrás. Eu não ia parar e voltar, então adeus, isotônico. Mandei um aceno, um beijinho e fui em frente, sabendo que teria de esperar o próximo posto de hidratação, ou então encontrar o Pedro no km 18, no MAM, na curva para a pista no sentido contrário, em direção à chegada.

E lá estava o Pedro. Eu o chamei para tirar uma foto, mas ele veio com o isotônico. Como eu ainda estava com um copo d’água na mão, agradeci, disse que ainda estava ok e que dava pra completar.

Ei, espera aí: eu ainda conseguia falar! E sabia o que estava dizendo! Avaliando a situação, eu percebi que dava para chegar mesmo. Só que os três quilômetros restantes nunca foram tão longos…

13
out
08

Meia Maratona do Rio de Janeiro: a praia

A Avenida Niemeyer formava os primeiros 4 km da corrida. Depois dela viriam Leblon, Ipanema, Arpoador e Copacabana, até a Princesa Isabel, “fronteira” com o Leme. Foi a parte mais fácil da corrida, apesar do sol. Legal era o pessoal dando apoio no calçadão e no canteiro central. Mas uma romaria de motos (como é que se diz, “carreata de motos”? “motoata”?) em homenagem a N. Sra. Aparecida atrapalhou um pouco a concentração, por causa do barulho. De qualquer maneira, estava bom. Teve uma senhora que gritou: “Vamos, gente, acelera aí!”. Fácil, né? Outra gritou: “O pior já passou, pessoal!”. Essa nunca correu no Aterro do Flamengo, coitada.

Saímos da praia, pegamos a Princesa Isabel em direção ao Aterro. A partir do Mourisco, no km 13, começou a esquentar de verdade.

13
out
08

Meia Maratona do Rio de Janeiro: a largada

A temperatura começou a subir muito e muito rápido. E nós estávamos ali, só esperando a ordem de largada. Eu olhava para a subida da Niemeyer e pensava: são dois quilômetros subindo (àquela altura parecia mais uma escalada) isso aí. Depois disso ainda vão faltar dezenove! Fiquei mais tenso ainda.

Verdade seja dita, o ambiente é ótimo: todo mundo ali está querendo diversão: tem os grupos levando faixas com erros de português, o corredor vestido de noiva, de super-homem, a tia tricolor com o galo a tiracolo, o cara fantasiado de oncinha… uma babel. Isso distrai e quebra um pouco a tensão.

Toda corrida de rua tem um locutor mala. Geralmente são de São Paulo, que não entendem nada do Rio de Janeiro. Ontem não foi diferente: o locutor, muito animado, em dado momento, para incentivar os corredores antes da largada, gritou: “É isso aí pessoal, vamos correr em paz, com calma, curtindo a paisagem linda dessa corrida que segue a orla da Baía de Guanabara!”

Hã?! Baía? Mas a gente não estava em São Conrado? Mar aberto, rapaz! Em 2/3 do percurso! Alguém deveria explicar para o infeliz onde ele estava.

Enquanto eu reclamava da asneira que tinha ouvido a largada foi dada. Alvíssaras, quase na hora! Eram nove e vinte quando abriram a porteira, digo, abriram o pórtico de largada. Dessa vez a Globo não atrasou nada. E lá fomos nós.

Primeira constatação: todo mundo passa na largada. Todo mundo mesmo. O super-homen, a noiva, até a tia tricolor com o galo. E passa por onde dá. Menos por cima da mureta da Niemeyer (pelo menos eu não vi ninguém por ali). A tendência é você se sentir um fracasso e achar que vai chegar em último (mas beeeeeeeeem em último!), de tanta gente que passa. Ainda bem que eu tenho alguma experiência em corridas pra saber que aquilo ali é fogo de palha, e no máximo uns dois quilômetros depois grande parte desse povo já vai estar se arrastando.

Aliás, nem esperei tanto pra ver esse pessoal andando: esqueceu que os dois primeiros quilômetros eram em subida? Então. Rapidinho vários apressadinhos já estavam para trás.

O excesso de cautela fez com que eu começasse a corrida bem devagar, embora não estivesse tão muvucado como eu imaginava. Meu primeiro quilômetro, na subida, foi feito em um tempo muito maior do que eu estou acostumado. Mas o ritmo estava bom, dava pra trotar com conforto – muito embora no final da subida eu já sentisse as canelas queimando.

Na passagem pelo Motel Vip’s começou a algazarra, todo mundo na torcida para ver alguma coisa,seja lá o que fosse. Eu já tinha ouvido histórias sobre mulheres nuas que ficam dando tchauzinho para os corredores, ou de casais que transavam na janela, pra quem quisesse ver, mas não vi nada (raios!).

Na descida da Niemeyer, quando reparei, estava “engarrafado” no pelotão evangélico da corrida. Eram tantos gritos de “Aleluia”, “Glória a Deus” e afins que não deu outra: foram ficando sem fôlego rapidinho.

13
out
08

Meia Maratona do Rio de Janeiro: o início

O cronômetro marcava duas horas, vinte e oito minutos e vinte e quatro segundos quando eu cruzei a linha de chegada e completei a XII Meia Maratona do Rio de Janeiro (o tempo corrigido no site oficial da corrida é 2h28min22seg). Eu nunca tinha corrido uma distância tão grande, e por tanto tempo. E, em alguns momentos, cheguei a não acreditar que ia passar dos 18 km. Mas consegui, completei e ainda voltei vivo pra contar a história.

Antes, sábado à noite, briefing do pessoal dao Street Runners (minha equipe) com umas dicas sobre a prova, principalmente para os neófitos como eu. O Robson, o treinador, com a sutileza que lhe é peculiar, foi logo avisando: “são 18 mil pessoas que vão largar juntas. Olhem sempre pro corredor que está à sua frente, porque se ele parar de repente você pode tropeçar nele e aí começa o efeito dominó, com todo mundo caindo por cima de vocês. Outra coisa: pelo menos no início corram com os braços levemente abertos para evitar trombadas, e cuidado com o corredor de trás pisando no seu calcanhar! Se o seu tênis sair do pé você vai ter de correr descalço. Além disso, vai ter gente passando que nem loucos por vocês, não se deserperem. Vão passar pelo acostamento e até pela mureta, e até tem gente que cai no mar e morre!”.

Peraí: que papo é esse de “gente que cai no mar e morre”?! Eu me inscrevi para uma corrida, e não para uma batalha medieval! Minha ansiedade, que já era visível (coitada da Fê), começou a virar apreensão. Uma ponta de arrependimento apareceu.

No domingo, depois de dormir mal, peguei carona com o Vitão e fomos pra São Conrado. A largada era prevista para as 9 e quinze (se a Globo não mandasse atrasar), mas chegamos às sete e meia, para esperar o Robson e o pessoal da SR com calma. E foi bom, porque já estava quase todo mundo lá. Todos listos, fomos para a praia alongar, aquecer e esperar a largada. De tenso passei a ansioso: ainda faltavam vinte para as nove.

A estrutura no local de largada era bem montada: dezenas de banheiros químicos estavam à disposição, muita água também. E os guarda-volumes eram caminhões, que depois da largada seguiriam para o Aterro. E eis que de repente o sol, que não aparecia havia dias e poderia ter dormido até um pouquinho mais tarde, resolveu aparecer com vontade. E para ficar. Pensei: pronto, já era. Vou ter de correr a prova toda nesse sol.

Tive mesmo.

08
out
08

Meia Maratona Internacional do Rio

Domingo, 12 de outubro, é dia de Nossa Senhora Aparecida, e também dia das crianças. Mas vai ser, ainda, o dia da XII Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro.

São 21,097 km (é isso aí, vinte e um quilômetros e noventa e sete metros), com largada na Avenida Prefeito Mendes de Morais, em São Conrado, e chegada na Praça do Índio, no Aterro. Os primeiros dois quilômetros são na subida da Avenida Niemeyer, e o requinte de crueldade é que os corredores vão passar direto pela Praça do Índio, na pista sentido Centro, seguem até o MAM e só então fazem a volta em direção à linha de chegada. Essa “esticadinha” dá uns 5 quilômetros. Ou seja: o infeliz do corredor já correu 16 km, passa pela chegada, que está na pista do outro lado, e lembra que ainda tem de correr mais 2,5 km pra ir e mais 2,5 km pra voltar e terminar a corrida.

Esse vai ser um dos momentos mais difíceis. Outros vão ser a ladeira depois da largada, onde há o risco de desgaste prematuro, e a passagem pela Avenida Princesa Isabel, onde vai me dar uma vontade louca de ir pra casa, ali do lado.

Bom, eu acho que estou bem treinado, e tenho alguma experiência em corridas pra não cair nas armadilhas que uma prova dessas esconde – empolgação no início e cansaço no final, desânimo, impaciência… – mas nunca corri uma meia maratona. Meu plano é completar, seja em que tempo for. Se eu chegar correndo, sem ter caminhado no meio do caminho, vai ser bom demais.

Terminar uma corrida é muito legal. Nem tanto pela medalha que todo mundo recebe, mas pela sensação de ter alcançado uma meta. Dá uma sensação ótima de que você é capaz, que você enfrentou aquela distância toda, superou e ainda está inteiro. E a primeira coisa em que eu geralmente penso é na próxima corrida.

Além disso, cada vez mais gente tem participado dessas provas. Na Meia vão ser 14 mil. Na última prova do Circuito das Estações da Adidas foram 7 mil. Por isso o ambiente é sempre divertido, descontraído, animado, todo mundo se apoiando e incentivando. Tem sempre as figuraças folclóricas, como a tia torcedora do Fluminense que leva um galo a tiracolo. E ninguém compete com você, a não ser você mesmo: todos só querem completar suas provas e melhorar seus tempos, se possível.

Bom, vai ser uma experiência nova, vamos ver o que acontece. Depois da prova eu vou contar como é que foi.




Quem manda na área

Carioca nascido em Brasília, 36 anos, o pai do João Guilherme. Conhecido à boca miúda como o "Oráculo dos anos 80", que, para mim, não tiveram nada de "década perdida", sou destemido e temido nos quiz e joguinos de perguntas e respostas. Também sou viciado em cultura inútil. Vascaíno, adoro sorvete de creme e detesto camarão.

Mantra:

Nunca duvide da mediocridade humana - para baixo não há limites!

A foto do cabeçalho é…

Templo de Saturno, Via Sacra, Roma

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