Este post inaugura e dá nome a uma nova seção no blog, na qual eu vou falar sobre livros que eu gostei muito de ter lido e, de um jeito ou de outro, me marcaram bastante. O primeiro deles, na verdade, são três: é a “Trilogia da Fundação“, do Isaac Asimov, escritor russo naturalizado americano, falecido em 1992, aos 72 anos, um dos maiores autores de ficção científica da História.

Capa de "Trilogia da Fundação", editado pela ed. Hemus
A “Trilogia da Fundação” começou como uma série de seis contos de ficção científica escritos entre 1942 e 1949, contando a história da queda do Império Galáctico e o período de transição de mil anos até o surgimento do Segundo Império Galáctico. Como fio condutor da história estaria a “psico-história”, um ramo da ciência baseado na estatística que seria capaz de prever o futuro de grandes agrupamentos sociais.
Os contos foram transformados em livros sepadamente: em 1951 foi publicado “Fundação”, tratando da queda do Império e dos primeiros 200 anos da Fundação (um organismo político-econômico criado por um cientista com o fim de coordenar o período de transição até o surgimento do Segundo Império Galáctico); o segundo, “Fundação e Império”, de 1952, conta a história do confronto entre a Fundação, já poderosa e influente com sua política imperialista e expansionista, e os remanescentes do Império que caía; o terceiro, “Segunda Fundação”, de 1953, cuida do confronto entre a Fundação e a “Segunda Fundação”, outra fundação criada pelo mesmo idealizador da “primeira” e que tinha por fim fiscalizá-la.
O mais legal, e também mais impressionante sobre a série – que ganhou, em 1966, o Prêmio Hugo de melhor série de Ficção Científica de todos os tempos, derrotando, entre outras, “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien – é a adoção de doutrinas ideológicas polêmicas mas que estiveram em voga nas primeiras décadas do século XX, como a do “Destino Manifesto” dos Estados Unidos, segundo a qual o expansionismo americano é um dom divino, e o povo americano teria sido escolhido por Deus para guiar o mundo, ou o nazismo, para quem a democracia era uma força desestabilizadora da sociedade por distribuir o poder entre minorias éticas, em detrimento de um governo centralizador exercido por pessoas intelectualmente capacitadas. Qualquer semelhança com o Império Romano também não é coincidência – Asimov se inspirou no livro “A História do Declínio do Império Romano”, de Edward Gibbon.

Box da Trilogia da Fundação, editado pela Ed. Aleph
No Brasil a “Trilogia da Fundação” foi editada, inicialmente, em um único volume, pela editora Hemus. Depois do muito tempo esgotada (época na qual eu ficava em peregrinação de sebo em sebo, procurando um exemplar pra comprar), em 2009 a trilogia passou a ser publicada em volumes independentes e vendida em um box pela editora Alehp. Neste intervalo, o autor deu prosseguimento à saga e lançou outros livros: “Fundação II”, em 1982, “A Fundação e a Terra”, em 1986, “Prelúdio da Fundação”, em 1988, e “Crônicas da Fundação”, em 1991, um ano antes da morte do Asimov. A trilogia da Fundação, assim, se transformou em uma série de sete livros, que podem ser organizados na seguinte ordem cronológica (e não de publicação dos livros):
Prelúdio da Fundação
Crônicas da Fundação (até o Epílogo);
Fundação (Parte 1)
Crônicas da Fundação (Epílogo)
Fundação (Parte 2 em diante)
Fundação e Império
Segunda Fundação
Fundação II
A Fundação e a Terra
Para quem gosta de ficção científica, política e economia, eu recomendo – é uma obra imperdível. Para quem gosta de romances épicos, também é leitura obrigatória. Pra quem é nerd, é Asimov, cara! Acima de tudo, é literatura de primeira, muito bem escrita – daquela que é muito difícil encontrar nos livros, hoje em dia.