Arquivo para a categoria 'Livros que eu gosto'

07
set
11

Livro que eu gosto

No dia da Independência do Brasil, é até óbvio que eu indique “1822″, de Laurentino Gomes, como “livro que eu gosto” da vez. É, mais do que a continuação de “1808″, do mesmo autor, um retrato muito bem escrito sobre todo o cenário sócio-histórico-político do mundo à época, esquadrinhando as circunstâncias que levaram o país à independência.

Capa de "1822", de Laurentino Gomes

Às vezes é até difícil de acreditar, e o ensino de História nas escolas realmente não colabora muito com isso, mas o Brasil tem uma história muito interessante e muito rica, tendo a formação da nação razões que se estendem desde a revolução industrial, no século XVIII.

O livro é excelente, e explica de forma bem clara e simples toda a cadeia de acontecimentos externos e internos que colaboraram para grito do Ipiranga (que, hoje se sabe, não teve nada do glamour do quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo). Mas também trata de questões bem mais pessoais sobre a vida de Dom Pedro I e sua conturbada relação com a mãe e o irmão Miguel e com as Côrtes portuguesas.

A leitura vale a pena, não só por ser uma obra literária bem escrita, mas também por ser um importante meio de conhecermos a nossa própria história, que, para mim, já deveria ser há bastante tempo mais conhecida e respeitada.

07
abr
11

Livro que eu gosto

Dizem que a História é sempre contada pelos vencedores. Na verdade, é um pouco mais do que isso. A História é, mais do que contada, ensinada com a contaminação do contexto sócio-político-ideológico de determinado local, inserido em um cenário histórico específico. Isso faz com que cresçamos crendo piamente em determinados lugares-comuns que nos são apresentados, desde a infância, de foma não apenas dogmática, mas quase axiomática, ou seja, determinada informação não é apenas uma verdade “universalmente reconhecida”, mas também não deve ser discutida jamais.

Na História do Brasil isso é muito comum. Personagens passam de heróis a proscritos ou são convenientemente esquecidos de acordo com a ideologia dominante em determinada época. Fatos são deliberadamente alterados ou mesmo inventados de modo a transmitir mais adequadamente uma mensagem, valorizar determinada posição política ou regime de governo, dar uma aura solene, nobre ou mesmo sagrada ao evento histórico relatado. Quer um exemplo? Veja o quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, reflita um pouco sobre como deveria ser a vida naquela época e diga, sinceramente, se a cena retratada tem alguma verossimilhança. Basta lembrar que o quadro foi pintado em 1888, 66 anos depois da proclamação da Independência, quando a Monarquia Brasileira já era extremamente criticada e estava prestes a cair.

Quadro "Independência do Brasil", de Pedro Américo (1888)

Para desmistificar (ou desmitificar) a História do Brasil o jornalista Leandro Narloch escreveu o “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, o “Livro que eu gosto” de hoje. Ao contrário do que o título do livro pode sugerir, não se trata de uma esculhambação da História do Brasill, mas sim de uma visão que se pretende isenta dos pensamentos, doutrinas e dogmas das épocas em que os fatos aconteceram, mais próxima do que realmente ocorreu e de suas origens sociais e econômicas, analisando justamente o contexto sócio-histórico da época, como o Estado Novo, o regime militar, os movimentos modernistas das primeiras décadas do século passado (em especial dos anos 20). Há, inclusive, menções elogiosas, como a feita a Machado de Assis, na parte que conta sobre sua função de censor do Império.

Capa de "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil"

O livro é interessante e vale a pena ser lido, mesmo por quem não gosta de história (tem gente assim, pode?). É ágil, objetivo e tem “páginas negras” que contêm as informações mais polêmicas sobre fatos ou pessoas relevantes na formação histórica nacional, além de indicar vasta bibliografia de pesquisa. Eu dou destaque especialmente para os capítulos que tratam de escravidão, de Zumbi dos Palmares, de Aleijadinho e de Santos Dumont, que, acredito, incomodam muito a turma pacheco-ufanista que estudou OSPB e Educação Moral e Cívica na escola.

15
mar
11

Livros que eu gosto

Este post inaugura e dá nome a uma nova seção no blog, na qual eu vou falar sobre livros que eu gostei muito de ter lido e, de um jeito ou de outro, me marcaram bastante. O primeiro deles, na verdade, são três: é a “Trilogia da Fundação“, do Isaac Asimov, escritor russo naturalizado americano, falecido em 1992, aos 72 anos, um dos maiores autores de ficção científica da História.

Capa de "Trilogia da Fundação", editado pela ed. Hemus

A “Trilogia da Fundação” começou como uma série de seis contos de ficção científica escritos entre 1942 e 1949, contando a história da queda do Império Galáctico e o período de transição de mil anos até o surgimento do Segundo Império Galáctico. Como fio condutor da história estaria a “psico-história”, um ramo da ciência baseado na estatística que seria capaz de prever o futuro de grandes agrupamentos sociais.

Os contos foram transformados em livros sepadamente: em 1951 foi publicado “Fundação”, tratando da queda do Império e dos primeiros 200 anos da Fundação (um organismo político-econômico criado por um cientista com o fim de coordenar o período de transição até o surgimento do Segundo Império Galáctico); o segundo, “Fundação e Império”, de 1952, conta a história do confronto entre a Fundação, já poderosa e influente com sua política imperialista e expansionista, e os remanescentes do Império que caía; o terceiro, “Segunda Fundação”, de 1953, cuida do confronto entre a Fundação e a “Segunda Fundação”, outra fundação criada pelo mesmo idealizador da “primeira” e que tinha por fim fiscalizá-la.

O mais legal, e também mais impressionante sobre a série – que ganhou, em 1966, o Prêmio Hugo de melhor série de Ficção Científica de todos os tempos, derrotando, entre outras, “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien – é a adoção de doutrinas ideológicas polêmicas mas que estiveram em voga nas primeiras décadas do século XX, como a do “Destino Manifesto” dos Estados Unidos, segundo a qual o expansionismo americano é um dom divino, e o povo americano teria sido escolhido por Deus para guiar o mundo, ou o nazismo, para quem a democracia era uma força desestabilizadora da sociedade por distribuir o poder entre minorias éticas, em detrimento de um governo centralizador exercido por pessoas intelectualmente capacitadas. Qualquer semelhança com o Império Romano também não é coincidência – Asimov se inspirou no livro “A História do Declínio do Império Romano”, de Edward Gibbon.

Box da Trilogia da Fundação, editado pela Ed. Aleph

No Brasil a “Trilogia da Fundação” foi editada, inicialmente, em um único volume, pela editora Hemus. Depois do muito tempo esgotada (época na qual eu ficava em peregrinação de sebo em sebo, procurando um exemplar pra comprar), em 2009 a trilogia passou a ser publicada em volumes independentes e vendida em um box pela editora Alehp. Neste intervalo, o autor deu prosseguimento à saga e lançou outros livros: “Fundação II”, em 1982, “A Fundação e a Terra”, em 1986, “Prelúdio da Fundação”, em 1988, e “Crônicas da Fundação”, em 1991, um ano antes da morte do Asimov. A trilogia da Fundação, assim, se transformou em uma série de sete livros, que podem ser organizados na seguinte ordem cronológica (e não de publicação dos livros):

Prelúdio da Fundação
Crônicas da Fundação (até o Epílogo);
Fundação (Parte 1)
Crônicas da Fundação (Epílogo)
Fundação (Parte 2 em diante)
Fundação e Império
Segunda Fundação
Fundação II
A Fundação e a Terra

Para quem gosta de ficção científica, política e economia, eu recomendo – é uma obra imperdível. Para quem gosta de romances épicos, também é leitura obrigatória. Pra quem é nerd, é Asimov, cara! Acima de tudo, é literatura de primeira, muito bem escrita – daquela que é muito difícil encontrar nos livros, hoje em dia.




Quem manda na área

Carioca nascido em Brasília, 36 anos, o pai do João Guilherme. Conhecido à boca miúda como o "Oráculo dos anos 80", que, para mim, não tiveram nada de "década perdida", sou destemido e temido nos quiz e joguinos de perguntas e respostas. Também sou viciado em cultura inútil. Vascaíno, adoro sorvete de creme e detesto camarão.

Mantra:

Nunca duvide da mediocridade humana - para baixo não há limites!

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