Paris não é a cidade ideal para viajar com crianças pequenas. Empurrar carrinhos de bebê nas calçadas estreitas da cidade é complicado, as pessoas olham torto nos restaurantes, é uma dificuldade enorme trocar uma fralda, por falta de um lugar adequado, as estações do metrô têm corredores estreitos e poucas escadas rolantes (elevadores, nem pensar!), os vagões das composições são pequenos e apertados, ninguém parece se importar muito com as dificuldades que nós temos quando carregamos aquela tralha toda. Mesmo assim, há lugares em que dá pra levar os pequenos sem medo de ser feliz.
Um deles é o Jardim de Luxemburgo, onde fica o edifício do senado francês. É um espaço enorme, de 224 mil metros quadrados, localizado no Sexto Arrondissement e muito bonito, arborizado, com alamedas amplas, perfeitas para a garotada (e os adultos também) correr. Guardadas as devidas proporções, tendo em vista sua concepção de espaço urbano de lazer, lembra o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Por isso muita gente leva seus filhos lá para brincar, tanto locais quanto turistas, para a alegria do João Guilherme, que se acabou de correr e brincar.
Logo na entrada do parque, pela Avenida Gay-Lussac, há vendedores de guloseimas como amêndoas torradas, marzipan, castanhas e biscoitos salgados, amanteigados, vários. No dia em que estivemos lá, havia ainda uma bandinha (que estava mais para “bando”) tocando várias músicas pop (como o tema de abertura de “Pulp Fiction”) em ritmo de marchinha, e algumas pessoas tentavam organizar um “flash mob”, mas a ideia não foi muito adiante. Depois de deixar JG dançar um pouco ali, seguimos andando por uma via bem ampla, forrada de folhas das árvores, que o outono jogou no chão. Além das crianças, muitos cachorros brincavam por ali (Paris rivaliza pau a pau com Copacabana na quantidade de cachorros, impressionante), e João Guilherme gritava o tempo todo “o cachorrinho! O cachorrinho!”, sempre tentando correr atrás de um.
Mais ou menos no meio do parque existe um lago artificial enorme com um chafariz, cercado por cadeiras, espreguiçadeiras e banquinhos perfeitos para quem quer ficar de bobeira e passar o tempo apreciando a paisagem e acompanhando o movimento. É lá que as crianças mais gostam de correr, porque além do chafariz há patinhos nadando e de vez em quando alguém leva um brinquedo para a água, como o barco de controle remoto que navegava calmamente, para delírio da garotada.
João Guilherme se divertiu e nem ligou para o frio que fazia naquela tarde de novembro. Isso, claro, até colocar a mão na água quando tentava tocar em um patinho (“frio, pai!”). Fiquei até tranquilo, porque ele rapidinho desistiu de chegar perto da água, mas seguiu brincando todo feliz.
Pena que chegamos relativamente tarde e acabamos aproveitando pouco, porque logo chegou a hora de o Jardim fechar. Havia muitos lugares ainda para se visitar lá dentro, mas deu para ver como o parque é um lugar bonito e calmo, um refúgio perfeito para descanso e lazer dentro da agitação da capital francesa.






