Arquivo para a categoria 'JG'

23
mai
12

JG no Jardim de Luxemburgo

Paris não é a cidade ideal para viajar com crianças pequenas. Empurrar carrinhos de bebê nas calçadas estreitas da cidade é complicado, as pessoas olham torto nos restaurantes, é uma dificuldade enorme trocar uma fralda, por falta de um lugar adequado, as estações do metrô têm corredores estreitos e poucas escadas rolantes (elevadores, nem pensar!), os vagões das composições são pequenos e apertados, ninguém parece se importar muito com as dificuldades que nós temos quando carregamos aquela tralha toda. Mesmo assim, há lugares em que dá pra levar os pequenos sem medo de ser feliz.

Um deles é o Jardim de Luxemburgo, onde fica o edifício do senado francês. É um espaço enorme, de 224 mil metros quadrados, localizado no Sexto Arrondissement e muito bonito, arborizado, com alamedas amplas, perfeitas para a garotada (e os adultos também) correr. Guardadas as devidas proporções, tendo em vista sua concepção de espaço urbano de lazer, lembra o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Por isso muita gente leva seus filhos lá para brincar, tanto locais quanto turistas, para a alegria do João Guilherme, que se acabou de correr e brincar.

A praça principal, o lago e o chafariz do Jardim de Luxemburgo

Logo na entrada do parque, pela Avenida Gay-Lussac, há vendedores de guloseimas como amêndoas torradas, marzipan, castanhas e biscoitos salgados, amanteigados, vários. No dia em que estivemos lá, havia ainda uma bandinha (que estava mais para “bando”) tocando várias músicas pop (como o tema de abertura de “Pulp Fiction”) em ritmo de marchinha, e algumas pessoas tentavam organizar um “flash mob”, mas a ideia não foi muito adiante. Depois de deixar JG dançar um pouco ali, seguimos andando por uma via bem ampla, forrada de folhas das árvores, que o outono jogou no chão. Além das crianças, muitos cachorros brincavam por ali (Paris rivaliza pau a pau com Copacabana na quantidade de cachorros, impressionante), e João Guilherme gritava o tempo todo “o cachorrinho! O cachorrinho!”, sempre tentando correr atrás de um.

Fê, JG e os patinhos

Mais ou menos no meio do parque existe um lago artificial enorme com um chafariz, cercado por cadeiras, espreguiçadeiras e banquinhos perfeitos para quem quer ficar de bobeira e passar o tempo apreciando a paisagem e acompanhando o movimento. É lá que as crianças mais gostam de correr, porque além do chafariz há patinhos nadando e de vez em quando alguém leva um brinquedo para a água, como o barco de controle remoto que navegava calmamente, para delírio da garotada.

Populares aproveitando a tarde no Jardim de Luxemburgo

João Guilherme se divertiu e nem ligou para o frio que fazia naquela tarde de novembro. Isso, claro, até colocar a mão na água quando tentava tocar em um patinho (“frio, pai!”). Fiquei até tranquilo, porque ele rapidinho desistiu de chegar perto da água, mas seguiu brincando todo feliz.

Detalhe de uma das alamedas do Jardim de Luxemburgo

Pena que chegamos relativamente tarde e acabamos aproveitando pouco, porque logo chegou a hora de o Jardim fechar. Havia muitos lugares ainda para se visitar lá dentro, mas deu para ver como o parque é um lugar bonito e calmo, um refúgio perfeito para descanso e lazer dentro da agitação da capital francesa.

08
mai
12

JG hipocondríaco

Um belo dia João Guilherme se aproximou de mim e disse:

- Papai, estou dodói.

Assustado e preocupado, olhei para ele de alto a baixo, um verdadeiro scanner infantil. Procurei algum arranhão, ralado, machucado, galo, hematoma, nada. O nariz estava limpo. Ele não tossia nem espirrava. Tudo absolutamente normal. Aí eu falei:

- Filho, você não está dodói. Está tudo bem com você.

Olhando bem firme pra mim, visivelmente indignado e cheio de razão, JG respondeu:

- Papai, eu estou dodói! – para depois se virar e seguir para o quarto dele.

Então tá, né? Vou dizer que não, depois dessa?

07
mai
12

Para proteger do sol

É uma verdade universalmente reconhecida que quando uma criança fica algum tempo quieta ou está dormindo ou está fazendo merda. Dia desses estávamos vendo televisão no quarto quando subitamente percebi que João Guilherme estava muito quieto. Quando olhei no quarto dele e não o vi, me preparei para o pior.

Fui procurar pelo resto da casa e, quando cheguei na sala, gelei. A cena era a seguinte: JG tinha esvaziado um tubo de protetor solar no sofá e espalhava o conteúdo no assento, fazendo movimentos circulares com as mãos no melhor estilo Daniel-san em Karate Kid. Apavorado, perguntei:

- João Guilherme, o que é isso?!

A resposta foi simples, direta e prática como só as crianças conseguem dar:

- É pra proteger do sol, pai.

Pelo menos deu pra salvar o sofá…

06
mai
12

JG em crise

Cheguei em casa e encontrei João Guilherme triste, acabrunhado, cabisbaixo, magoado mesmo. Preocupado, perguntei o que tinha acontecido.

- Tô chateado – ele respondeu.

- Mas chateado com o quê, filho?!

- O Cauê…

Cauê é um amiguinho da escola, mas eles se conhecem desde os tempos da natação, quando só tinham sete meses de idade. Ele vai muito lá em casa, e os dois são muito próximos. Curioso, continuei:

- Mas o que o Cauê fez, João?

- Ele disse que eu não sou o Batman…

Surpreso e segurando o riso, abracei ele e disse:

- Filho, o Cauê se enganou! Claro que você é o Batman! Quer ver?

Fomos até o quarto dele, peguei a fantasia de Batman que ele adora e disse:

- Olha só, taqui a sua armadura do Batman, com máscara e tudo. Não falei? Você é o Batman!

Ele, satisfeito, disse “é…” e foi brincar. E eu fiquei aliviado por ter salvo a autoestima do garoto.

28
dez
11

Passagem de Serviço

Já faz três ou quatro anos que o d’Eça me incumbiu de uma missão muito importante: escrever a cartinha que o Papai Noel manda para a filha dele, a Duda, em resposta à que ela própria manda. Acho super legal ver como ela realmente acredita em Papai Noel, e de certa forma até surpreendente, porque ela já está em uma idade na qual as crianças em geral não acreditam mais no “Bom Velhinho” – louvem-se os esforços do d’Eça e a pureza do coração da menina.

O d’Eça me pede para escrever porque diz que a minha letra é bonita e, claro, diferente da dele e da esposa, que a Duda já conhece, e eu não tenho trabalho nenhum, na verdade: ele me entrega o rascunho da carta e eu só preciso passá-lo a limpo no papel de carta que ele me fornece, com a caneta que ele me entrega. Quem sou eu pra negar assim, né?

Engraçado que isso acabou se tornando parte do meu ritual de Natal: nesses anos, no início de dezembro, ele dizia para mim: “Edu, acho que vou precisar dos seus préstimos de novo, pode ser?”, eu já até esperava ele me dizer isso. Depois vinham algumas recomendações, encerradas com um “se você encontrar algum erro pode corrigir, tá?”, ao que eu sempre respondi “tá, d’Eça, pode deixar”. E mais tarde eu sempre queria saber como a Duda havia reagido, se tinha ficado feliz, essas coisas, mesmo eu só tendo escrito a carta, o conteúdo dela não era meu (e nem era pra ser, obviamente). Eu me importo de verdade com isso.

Eu geralmente escrevia a carta no trabalho mesmo, para devolver logo e o d’Eça não perder tempo. Mas neste ano eu levei tudo pra casa para escrever com calma. Quando a Fê me viu com uma caneta vermelha e papel de carta cor de rosa em cima da mesa ela me perguntou do que se tratava; diante da resposta, ela, sorrindo, olhou para JG e falou: “acho que ano que vem vamos ter de fazer isso com o João Guilherme”.

De repente eu percebi que aquela seria, provavelmente, a última carta que eu escrevia para a Duda, porque dificilmente ela ainda vai acreditar em Papai Noel no ano que vem, mas que a minha “missão natalina” ia continuar, dessa vez com o meu próprio filho. João Guilherme já reconhece o Papai Noel, e fica encantado sempre que vê um, seja alguém fantasiado, seja um boneco. Pode ser uma figura importante na criação dele, reforçando a ideia de bondade e respeito aos semelhantes.

Parabéns, d’Eça, por conseguir manter a crença da Duda no Papai Noel. E obrigado pelo treinamento. Já posso aplicar que aprendi em casa sem medo. João Guilherme agradece!

27
dez
11

A cena do Natal

A melhor cena do Natal, disparado, aconteceu domingo de manhã, quando fomos acordar João Guilherme. Sentamos na cama e ele começou a despertar, fazendo aquele charme. Mas quando a Fê disse “tem mais presentes na árvore, filho!” ele deu um pulo e ficou de pé, com os olhos arregalados. Só que ele ainda estava meio sonolento, e levantou tão rápido que ficou zonzo e caiu na cama de novo, completamente desorientado, fazendo o maior esforço para tentar se recompor e correr para a sala.

Chorei de rir.

22
dez
11

JG passou de ano!

Na semana passada tivemos o encerramento do ano letivo da escolinha do João Guilherme, e uma reunião de pais para avaliar o desempenho das crianças no decorrer do período. Não foi uma análise individualizada, porque isso os pais têm constantemente através dos relatórios que a escola manda e das anotações nas agendas das crianças, mas no final da reunião, onde foram exibidas várias fotos mostrando as atividades diárias dos alunos (e JG aparecia com destaque em todas elas, a ponto de uma mãe ficar com ciúmes, hehe), recebemos uma pasta com todos os trabalhos feitos no ano.

Claro que a rotina escolar de uma criança de dois anos de idade se resume a atividades de recreação e de desenvolvimento da psicomotricidade, e nesse ponto JG se saiu muito bem. Vendo os trabalhinhos deu pra perceber como ele evoluiu, como a coordenação motora se aprimorou. Tinha até análise comparativa entre uma arte feita em março e outra feita em novembro: o que eram poucos riscos tímidos de giz de cera no papel viraram… vários riscos decididos de giz de cera no papel. Óbvio que a intenção, ali, era mostrar a evolução na pegada do giz, na força do traço, da postura, até da atenção. Havia, inclusive, uma foto do JG, provavelmente fazendo o segundo desenho, em que ele parecia estar profundamente concentrado, prestando a maior atenção. Isso é legal de ver, dá ânimo, estimula demais.

Eu estou muito satisfeito com a escola dele, fizeram um ótimo trabalho. Claro que sempre é necessário um ajuste de rota aqui e ali, mas foram poucos e menos importantes, mesmo porque foi a primeira turma de Berçário delas, para crianças com menos de dois anos. Mas elas se saíram muito bem, e fiz questão de dizer isso pessoalmente para as professoras e para a diretora (mas reservadamente, porque eu não gosto dessas coisas de discurso rasgação de seda, muito embora às vezes eles sejam inevitáveis).

Agora João Guilherme está de férias! Mas se vocês pensam que ele vai ficar em casa, podem tirar o cavalinho da chuva! Ele continua indo à escola todo dia, agora como colônia de férias, até o início de fevereiro, quando as aulas recomeçam, agora como “Maternal I”.

É, garoto, a sua caminhada está só começando… daqui a 20 anos a gente conversa de novo, ok?

10
dez
11

A árvore de natal

Desde que eu saí de casa nunca mais tinha montado uma árvore de natal, em parte por causa da falta de espaço, porque o meu apê antigo era bem pequeno, em parte por falta de interesse mesmo, porque tanto eu quanto a Fê nunca ficávamos muito tempo em casa, e os natais eram sempre na casa de parentes. Por isso sempre deixávamos a montagem da árvore pra lá.

Isso foi até João Guilherme.

No primeiro Natal dele ele só tinha três meses, e decidimos não fazer nada. No segundo já colocamos enfeites em casa, mas nada de árvore, porque não havia espaço. Neste ano, porém, como fomos para um apê maior, e João Guilherme já está crescidinho, resolvemos montar a nossa primeira árvore.

Arrumar uma árvore foi engraçado. Já tínhamos escolhido um modelo para comprar, quando soubemos que havíamos ganho uma árvore de presente. Desistimos da compra, mas aí vimos que a árvore “herdada” não servia, porque não tinha pés e estava em péssimo estado, e foi direto para o lixo. Voltamos à ideia da compra, quando soubemos que uma conhecida da minha mãe tinha uma árvore sobrando, da qual iria se desfazer, porque não cabia no apartamento dela. “É grande”, disse a mamãe, e depois de uma inspeção visual rápida na sala eu resolvi que ia tentar.

fomos buscar a árvore, a moça mora perto daqui de casa, e quando vi os sacos com as peças quase me arrependi: era grande mesmo. Mas eu não ia voltar atrás ali, se a árvore ficasse grande depois eu pensaria em alguma coisa. Fomos para casa e abrimos tudo. O negócio era enorme, mas começamos a montar.

Apesar da apreensão inicial, à medida em que a árvore ia tomando forma, vimos que ela cabia no lugar que eu havia imaginado. Depois que terminamos, fiquei olhando pra ela, satisfeito: era a primeira árvore de natal, enorme e linda, que eu tinha desde que saí da casa da minha mãe. Era a primeira árvore de natal do João Guilherme. A primeira árvore de natal da família que eu construí.

Mas o mais legal aconteceu depois de tudo pronto e instalado: João Guilherme, embevecido, repetia “a árvore de natal”, até que parou, se sentou no chão, chamou a Fê e eu e pediu para cantarmos uma musiquinha de Natal. No final da musiquinha, pediu um abraço dos dois e que cantassemos de novo, e quis outro abraço depois. Foi muito emocionante.

A árvore está lá, linda, iluminada, decorada com bolinhas, bichinhos e uma foto do João Guilherme, uma da Fê e até uma minha, só esperando a chegada do Papai Noel, para alegria de JG e nossa também. Que seja mesmo um Natal especial.

A árvore

09
dez
11

JG flanelinha

Estávamos nos preparando para sair, Fê, JG e eu. Depois de entrarmos no carro, percebi que teria trabalho para manobrar, porque o carro do vizinho, que é grande, estava mal estacionado. Já reclamando, liguei o carro. Foi quando ouvi:

- Sai de ré, papai!

Me virei, rindo, para responder ao João Guilherme e agradecer pela “orientação”. Foi quando eu percebi que, realmente, sair de ré era a melhor opção ali. Não era possível que ele tivesse percebido isso, mas será que teria sido só “coincidência”? Pensando nisso tudo, comecei a manobrar o carro, enquanto JG repetia:

- Você consegue, papai!

E foi assim durante todo o processo (que, a bem da verdade, nem demorou tanto). Já fofa da vaga, ele comemorou:

- Você conseguiu, papai!

Esse garoto tá ficando muito abusado. Só faltou pedir pra eu “olhar pela filosomia” dele e decidir quanto ele ia ganhar pela ajuda…

27
out
11

“Rápido, escadinha!”

João Guilherme entrou na fase do desfralde, o que significa emoção. Afinal, ele está deixando de lado a segurança da fralda e começando a aprender a controlar o próprio corpo, a reconhecer quando tem vontade de fazer xixi e cocô, a nos avisar que está com vontade e a procurar o lugar certo para fazer os dois. Isso significa que acidentes ainda acontecem e, bem… você entendeu.

Para facilitar a familiarização dele com o vaso sanitário, a Fê comprou um “adaptador”, que é um tábua onde ele pode sentar, acoplada a uma escada com duas alças de apoio, para ele poder subir e firmar os pés (o pediatra disse que apoiar os pés é fundamental para ele aprender a fazer força e controlar o esfíncter anal). Esse adaptador já recebeu o simpático nome de “Escadinha”, e já está sendo reconhecida pelo JG como o local para onde ele deve correr quando a vontade de ir ao banheiro bater.

A "Escadinha"

O resto da família tem colaborado, também. Minha mãe deu um penico (um penico! Ah, nossas mães…) que toca uma música sempre que é usado. Só que ela não contava com a astúcia do neto, que transformou o troço em um instrumento musical e nem se tocou da sua real finalidade. Pelo menos ainda não – mais pra frente, quem sabe, né, mãe?

Só que, como eu disse, às vezes acidentes acontecem. Dia desses, JG estava brincando na sala, sem fraldas, quando começou a gritar “rápido, escadinha!”, e correu para o banheiro. Fomos lá, ele subiu, sentou, fez força e… nada. Voltamos para a sala, ele continuou a brincar e, de repente, disse “rápido, escadinha!” outra vez e voltou para o banheiro. Nada, outra vez. Mas foi só voltar para a sala que ele parou, abriu as pernas e fez um belo de um xixi, com um sorriso satisfeito (o alívio deve ter sido grande, afinal).

Pois é, os próximos meses prometem ser intensos. E só de pensar que depois ainda vai vir a fase do “manhêêê, cocô!”…




Quem manda na área

Carioca nascido em Brasília, 36 anos, o pai do João Guilherme. Conhecido à boca miúda como o "Oráculo dos anos 80", que, para mim, não tiveram nada de "década perdida", sou destemido e temido nos quiz e joguinos de perguntas e respostas. Também sou viciado em cultura inútil. Vascaíno, adoro sorvete de creme e detesto camarão.

Mantra:

Nunca duvide da mediocridade humana - para baixo não há limites!

A foto do cabeçalho é…

Templo de Saturno, Via Sacra, Roma

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