Em dezembro do ano passado a CBF unificou os títulos da Taça Brasil, Taça de Ouro, Taça de Prata e Troféu Roberto Gomes Pedrosa, campeonatos disputados entre 1959 e 1970, anteriores à criação do Campeonato Brasileiro. Com isso os campeões daqueles torneios foram reconhecidos como campeões brasileiros e, de tabela, Santos e Palmeiras passaram a ser os clubes com o maior número de campeonatos nacionais – oito para cada um.
No caso do Santos, dos oito títulos, seis foram conquistados entre 1961 e 1968, ano em que tivemos dois campeões brasileiros, pois o Santos venceu a Taça de Prata e o Botafogo foi o campeão do Troféu Roberto Gomes Pedrosa (duas competições diferentes no mesmo ano que valeram como “campeonato brasileiro”. Entenderam?). O Santos conquistou cinco títulos consecutivos entre 1961 e 1965, sendo, portanto, pela conta da CBF, pentacampeão brasileiro naquele período.
Em 1992 o Flamengo, campeão daquele ano, se declarou o primeiro pentacampeão brasileiro de futebol, reivindicando a “Taça de Bolinhas” prometida pela CBF para o primeiro time a conquistar cinco títulos nacionais. A CBF não aceitou entregar a taça, porque não reconhece a Copa União de 1987, vencida pelo time carioca, como Campeonato Brasileiro; em 2007 o São Paulo conquistou seu quinto título e reivindicou a tal taça; nesse intervalo, o Sport Recife ajuizou ação declaratória para ser reconhecido pela CBF como campeão brasileiro de 1987 (e ganhou a ação). Surgiu aí uma confusão que não vai ter fim.
E aí a própria CBF, que, ao unificar os títulos, mesmo tendo reconhecido o Santos como o primeiro pentacampeão brasileiro (e foram cinco títulos consecutivos, ou seja, é “penta” mesmo), resolveu entregar a Taça das Bolinhas ao São Paulo, que conquistou seu primeiro título em 1977, 12 anos depois de o Santos garantir seu quinto título. Ou seja, a taça destinada ao primeiro pentacampeão brasileiro foi entregue ao segundo.
Muito sério, esse negócio de futebol no Brasil.
Porra, CBF! Olha a jabuticaba!
