Arquivo para a categoria 'Grandes Cerumanos'

08
nov
11

Haaaaaja pancada!

A RGT resolveu se tocar que o MMA/UFC dá uma audiência danada, e que transmitir as lutas vai dar a maior grana. Até aí tudo bem. Só que, ao invés de colocarem uma equipe de transmissão que entenda do assunto, trazendo informação relevante para o telespectador, quem foi o escolhido para encabeçar a narração, já a partir do próximo dia 12? Ele mesmo, meu querido GB. Os comentários estarão a cargo do Vitor Belfort.

Imagina só a tragédia que vai ser a transmissão das lutas por alguém que narra tudo como se fosse futebol ou fórmula 1, que acha que é gritando e usando jargões idiotas que se transmite emoção ao público (já pensaram nele gritando “pra cima deles, Anderson Silva!”?), que a informação é algo irrelevante e que brasileiro não erra, é sempre perseguido pelo resto do mundo que, por medo do nosso sucesso organiza complôs para nos prejudicar, em qualquer situação.

Porra, RGT!

06
nov
11

Pessoa jurídica

Juridiquês é um negócio engraçado. Reconheço que às vezes é muita afetação não só nós, advogados, como os operadores do direito em geral (juízes, desembargadores, promotores, defensores, procuradores) utilizarmos algumas expressões complicadas e que quase ninguém usa para nos referirmos a coisas que podiam ser explicadas com palavras muito mais simples, facilitando muito a vida de um monte de gente, só para ficar bonito.

Não tem muita utilidade prática usar “refrega” ao invés de “briga”, “relegar ao oblívio” ao invés de “esquecer”, “repetir o indébito” ao invés de “devolver o que foi pago indevidamente”, “admoestação” ao invés de “incômodo”. Você sabia que “prédio” e “edifício” são palavras distintas? “Prédio” é o terreno, e “edifício” é a construção (seja ela qual for) que está no terreno. Mas quem liga para isso?

Mas a graça do juridiquês está mesmo quando pessoas que não têm formação jurídica querem usá-lo para ficar em “pé de igualdade” (ou “paridade de condições objetivas”) com um de nós (por “nós” eu me refiro aos formados em direito). Sempre sai uma batatada, como “aviso breve”, ao invés de “aviso prévio”, “corpus christi”, ao invés de “habeas corpus” (eu já vi até um “habeas carrus”, acredite se quiser! Era para liberar um carro que havia sido rebocado em uma blitz), “usos e frutos” ao invés de “usufruto”, “usucampeão”, ou “usucapitão” ao invés de “usucapião”, e similares.

Mas teve um dia que eu ouvi a melhor. Estava conversando com um cliente, quando eu ainda tinha escritório, e ele, cheio de razão, ao discutir os termos de uma ação que queria que eu ajuizasse, em determinado momento me disse o seguinte:

- Bom, doutor, isso aí é uma coisa que vocês, pessoas jurídicas, é que podem resolver.

Estranhei, porque o escritório não era uma pessoa jurídica, não tinha CNPJ. Perguntei para ele:

- Pessoa jurídica?

E ele respondeu:

- Ué, doutor? Pessoa jurídica! O senhor não é formado em direito? Não entende dessas coisas de jurídico? Então!

Dizer o quê, nessas horas?

01
nov
11

Barbárie

Acho terrivelmente lamentáveis e de profundo mau gosto as piadinhas sobre a doença recém-dectada do ex-presidente Lula. Duvido que algum imbecil que está tirando ondinha de engraçaralho pra cadinho fazendo piadinhas cretinas sobre o câncer e o SUS tenha, alguma vez na vida, experimentado a dor excruciante de receber a notícia de ser portador de uma doença grave, de tratamento difícil e que provavelmente vai causar a própria morte – e eu não estou falando só de câncer, falo de todas as doenças que cobram um preço absurdo de quem as tem: câncer, esclerose múltipla, lúpus, parkinson e tantas outras. Não acredito que algum deles tenha olhado nos olhos das famílias e visto o desespero de pais, irmãos ou filhos, ao saberem que vão enfrentar uma luta árdua, cansativa e dolorosa que pode ser perdida. Quero ver quem deles experimentou na própria pele o sofrimento de uma químio ou radioterapia, ou outros tratamentos horrivelmente agressivos, que às vezes não resolvem, enquanto a doença segue avançando, matando aos poucos, sem muito o que fazer.

Nâo, eu não tenho câncer, nunca tive e não quero saber de ter. Também não sou fã e defensor incondicional do ex-presidente. Mas tenho educação, conheço quem tem a doença e vi gente morrer por isso, vi a agonia deles e dos familiares, e até em respeito ao que eles passaram eu prefiro dar uma palavra de incentivo ou mesmo o silêncio parceiro. Nunca me permiti fazer piada com a doença dos outros. Comemorar ou torcer pelo sofrimento alheio é o ponto mais baixo a que o “cerumano” pode chegar.

Pra mim, a melhor coisa que já foi dita a respeito assunto está neste post, um relato bastante sincero de alguém que sabe bem do que está falando, porque convive com a esclerose múltipla todo santo dia. Vale a pena a leitura. E tenham respeito, por favor: se não é pra incentivar, calem a boca e saiam de perto.

10
ago
11

Recordar é viver

Provavelmente saudosos da cagada monumental que fizeram no sequestro do ônibus da linha 174, em 2000, os policiais do BOPE – Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – resolveram exercitar sua incompetência mais uma vez ontem, em outro sequestro de ônibus, desta vez no Centro da Cidade (em frente à sede da Prefeitura da Cidade). Desta vez, para a tristeza dos policiais, ninguém morreu, mas não foi por falta de tentativa. Só não aconteceu uma tragédia porque os bandidos deviam ser mais burros do que os policiais.

Foi simples: policial é rendido por bandidos dentro do ônibus e é obrigado a sair. Chama reforços. Eles cercam o ônibus. Até aí tudo bem, como deve ser. Ah, mas tá muito certinho, vamos botar um pouco de ação! Os bandidos tentam furar o bloqueio da polícia e aí o que que a PM faz? Larga o dedo em cima dos bandidos e manda chumbo pra cima do ônibus com 20 passageiros dentro! E daí se pegar em alguém?!

Ah, mas os tiros foram nos pneus, para parar o ônibus e parar a fuga, dirão! Claaaaro, os dezesseis furos de bala na lataria, todos de fora para o interior do ônibus não têm nada a ver! Os cinco passageiros baleados também não!

E daí se algum tiro pegar no asfalto, ricochetear e atingir alguém?

E daí se a pessoa que estivesse dirigindo o ônibus (que não era o motorista, que já tinha conseguido fugir) fosse atingida, perdesse o controle e causasse um acidente, ferindo mais gente?

E daí se os bandidos, vendo os tiros, resolvessem matar todo mundo dentro do ônibus como represália?

A trapalhada de ontem só não acabou em tragédia porque a providência divina não quis. A operação foi uma estupidez tão grande que o próprio Secretário de Segurança, que é um homem sensato (e não um populista presepeiro como o o governador ou um playboizinho lesado como o prefeito) teve de reconhecer que “mandamos mal, prometemos melhorar”.

Me poupem.

24
jul
11

Desperdício

Amy Winehouse morreu ontem, aos 27 anos de idade, possivelmente de overdose, como aconteceu com Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison ou Brian Jones, por exemplo, talentos que também sucumbiram às drogas e ao álcool e morreram com 27 anos. Todos jovens, jovens demais.

Há pessoas para quem a vida não vale nada.

Que desperdício.

10
jun
11

Rrrrrrrrronaldo!!!

Eu prefiro lembrar do Ronaldo como aquele jogador que foi até 2003, ano em que a carreira dele acabou. Depois foi uma sucessão de equívocos e vexames, inclusive contubérnios envolvendo travestis, que só serviram para expor a vida dele ao ridículo.

Ronaldo foi um dos maiores atacantes que eu já vi jogar, autor de alguns dos gols mais sensacionais que eu me lembro e, mais importante, o protagonista da volta por cima mais inacreditável da história, coisa de cinema mesmo, na Copa de 2002, depois de uma série de cirurgias no joelho que, para muitos (eu, inclusive), significariam o fim precoce da carreira dele. Ele é o maior artilheiro das Copas do Mundo, com 15 gols, marca que ainda vai levar bastante tempo para ser superada, porque dificilmente o Klose vai jogar a copa de 2014 (e ainda vai precisar marcar 2 gols pra superar os do Ronaldo), e foi escolhido melhor jogador do mundo por três vezes – isso quando o melhor jogador do mundo era o melhor jogador do mundo mesmo.

Até na volta ao Brasil, naquela negociação esquisita com o Corinthians, Ronaldo, pra lá de fora de forma física e técnica, conseguiu se destacar, ganhando um campeonato estadual e uma Copa do Brasil (o que só comprova que o nível técnico do futebol brasileiro é mesmo muito ruim). Mas sua figura rotunda, roliça, esférica, mostrava o que todo mundo já estava cansado de saber: o futebol já havia abandonado Ronaldo há muito tempo.

Nesta terça-feira , dia 7, Ronaldo fez sua despedida da Seleção, a qual representou tão bem até 2002, e do futebol, que tanto deve a ele (e vice-versa). Foram 15 minutos em que eu cheguei a pensar se havia duas bolas em campo, mas não é que ele quase fez um gol (pra completo desespero do meu querido GB, que estava histérico na transmissão e chegou a fazer um minuto de silêncio quando o primeiro tempo e, consequentemente, a participação do Ronaldo no jogo acabou)? Foi um homenagem justa e bonita, embora eu ache que tenha sido tardia – devia ter acontecido pelo menos uns cinco anos atrás.

Mesmo assim, não posso deixar de prestar minha singela homenagem ao Fenômeno. Obrigado, Ronaldo, pelo jogador incrível que foi e pelo que você fez até 2003. Espero que você ainda possa contribuir bastante para o futebol.

28
abr
11

Vergonha alheia

Toda vez que eu vejo o Barney eu me sinto envergonhado pelo dublador dele… profissãozinha inglória às vezes, hein?

31
mar
11

Infeliz

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse, nesta segunda, 28 de março, no “CQC”, que considera o relacionamento entre negros e brancos uma “promiscuidade“. A declaração veio na resposta a uma pergunta feita pela Preta Gil, via Twitter, em que ela queria saber do deputado qual seria a reação dele ao saber, hipoteticamente, que um filho se relacionaria com uma negra.

A resposta do deputado não é surpreendente. Jair Bolsonaro é um reacionário de pai, mãe e parteira. Militar de formação, ex-integrante da brigada paraquedista do Exército Brasileiro, é deputado desde 1990 (são vinte anos no Congresso!), o único a ter a pachorra de defender até hoje o golpe militar de 64, bem como qualquer movimento de repressão aos direitos humanos – dos outros – pela força. Racista, machista e homofóbico, ele também defende o uso da tortura para investigações de crimes de tráfico de entorpecentes ou sequestro, e a execução sumária para crimes planejados antecipadamente. A Constituição da República, para ele, é um estorvo ao desenvolvimento de um Estado “de ordem”, em que a repressão seria a solução para as desigualdades sociais.

A permanência de alguém como ele no Congresso nacional por tanto tempo só se justifica, ironicamente, pela consolidação das instituições de um Estado democrático de direito, que ele tanto detesta, garantida por uma Constituição tão preocupada com os direitos fundamentais da pessoa. O indigitado está lá legitimamente, porque foi eleito dentro das regras do processo eleitoral democrático, o que indica que há eleitores que se identificam com as ideias deste infeliz – é este o problema.

Preta Gil disse que vai tomar as “medidas judiciais cabíveis”. Espero que as tome mesmo. E espero, também, que o ciclo deste cidadão no Congresso Nacional esteja no fim, e que eu não tenha o desprazer de vê-lo em novamente eleito em 2014.

24
mar
11

Lamento

O deputado federal Júlio Campos, do DEM-PI, chamou o Ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa de “moreno escuro”, em uma reunião da bancada do partido, anteontem.

Quando um ministro do Supremo Tribunal Federal, mais alta esfera do Judiciário brasileiro, é ofendido por um deputado federal em razão de sua etnia, fica claro o quanto ainda temos que caminhar rumo à civilização…

23
mar
11

Genial!

Eu estava angustiado nos últimos dias, a falta de ideias sobre o que escrever aqui no blog me atormentava. Estava triste, macambúzio, meditabundo, borocoxô. Até que o onisciente Hugo Chávez, em uma demonstração de grande conhecimento sócio-político interplanetário, me ajudou ao resolver uma das questões que mais atormentam a humanidade: afinal, existe vida em Marte?

Para o grande líder bolivariano existiu, mas o capitalismo e o imperialismo, em sua sanha desenfreada, esgotaram os recursos naturais do planeta e acabaram com ela, assim como estão acabando com a da Terra. Os próprios conflitos que estão acontecendo na Líbia, por exemplo, não têm nada a ver com confrontos sociais e violações dos direitos humanos, mas sim com a busca desesperada dos Estados Unidos por reservas de petróleo e água.

Não encontro palavras para descrever minha estupefação. A única coisa que me vem à mente é: cara, como é que eu nunca pensei nisso antes?!




Quem manda na área

Carioca nascido em Brasília, 36 anos, o pai do João Guilherme. Conhecido à boca miúda como o "Oráculo dos anos 80", que, para mim, não tiveram nada de "década perdida", sou destemido e temido nos quiz e joguinos de perguntas e respostas. Também sou viciado em cultura inútil. Vascaíno, adoro sorvete de creme e detesto camarão.

Mantra:

Nunca duvide da mediocridade humana - para baixo não há limites!

A foto do cabeçalho é…

Templo de Saturno, Via Sacra, Roma

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