Arquivo para a categoria 'Fala Sério'

08
nov
11

Haaaaaja pancada!

A RGT resolveu se tocar que o MMA/UFC dá uma audiência danada, e que transmitir as lutas vai dar a maior grana. Até aí tudo bem. Só que, ao invés de colocarem uma equipe de transmissão que entenda do assunto, trazendo informação relevante para o telespectador, quem foi o escolhido para encabeçar a narração, já a partir do próximo dia 12? Ele mesmo, meu querido GB. Os comentários estarão a cargo do Vitor Belfort.

Imagina só a tragédia que vai ser a transmissão das lutas por alguém que narra tudo como se fosse futebol ou fórmula 1, que acha que é gritando e usando jargões idiotas que se transmite emoção ao público (já pensaram nele gritando “pra cima deles, Anderson Silva!”?), que a informação é algo irrelevante e que brasileiro não erra, é sempre perseguido pelo resto do mundo que, por medo do nosso sucesso organiza complôs para nos prejudicar, em qualquer situação.

Porra, RGT!

21
out
11

Otários

Olha só que barato: o Maracanã está fechado para reformas que vão sair mais caras do que se fosse construído um estádio novo. Essas reformas vão durar até 2013, para a Copa das Confederações.

Ontem a FIFA divulgou a tabela da Copa de 2014, e, surpresa!, a Seleção só jogará no Rio se, e somente se, chegar à final – o que, convenhamos, com as escalações do Mano e o desempenho ridículo da Seleção, não vai rolar.

Isso quer dizer o seguinte: o Maracanã vai ficar fechado por três anos para só receber UM jogo do Brasil, SE ele acontecer. Fantárdigo, não?

Queria saber quem foi o autor dessa ideia de jerico. Sensacional.

E o torcedor segue fazendo seu papel de palhaço…

18
out
11

Bem vindo ao Rio!

Coluna Ancelmo Góos, O Globo, 17 de outubro de 2011

Eu estava nessa fila. Meu voo havia chegado uma hora antes, então o Bonner e a Fátima estavam bem mais atrás. Eram aproximadamente mil pessoas, passageiros de 4 voos, esperando para passar pela alfândega. E só uma máquina de raios X funcionava e três agentes vistoriavam TODAS as malas de TODOS os passageiros. Como os 4 voos vinham dos Estados Unidos, a Receita Federal faria uma festa de arrecadação.

O agente que me atendeu, então, era um caso à parte. Era um senhor de idade, que abria as malas de um passageiro, começava a vistoriar e, de repente, largava tudo para ver outro, que também era abandonado no meio do procedimento.

Horas de espera. Não javia nem água nem um lugar para sentar. Dezenas de gestantes, idosos e crianças nas filas. Sem falar nos que esperavam os passageiros que estavam lá dentro, sem ter a menor ideia de quanto tempo esperar e também sem lugar para ficar.

Essa é a pocilga do Galeão.

13
set
11

GB gostou!

E Bruno Senna conseguiu marcar seus dois primeiros pontos na carreira, ao chegar em 9.º lugar no GP da Itália, no último domingo, tornando-se o 318.º piloto a pontuar na Fórmula 1. Quem mais gostou disso foi meu querido GB, que gritava emocionado a cada ultrapassagem do primeiro sobrinho até o final da corrida.

A corrida não foi lá grande coisa, seja no geral, seja a de Bruno, no particular. Para mim, a melhor resenha sobre a atuação do primeiro sobrinho está aqui, e eu não tenho nada a acrescentar ao que foi dito. O que me deixa irritado é ver um comentarista como o Reginaldo Leme, que há tanto tempo cobre Fórmula 1, adotando a linha editorial pacheco-ufanista adotada pela RGT, chamando, enfático, o rapaz de “corajoso” por causa de uma ultrapassagem sem nenhuma carga dramática, a não ser o fato de que, com ela, ele assumia o 10.º lugar e entrava na zona de pontuação. A partir dali começou uma contagem regressiva desesperada, esperando pela bandeirada e a consagração do garoto.

Nesse meio tempo foram inúmeras repetições de frases como “como é bom ver um piloto corajoso usando um capacete amarelo em um carro preto!”, e qualquer resquício de informação que podeira ser dado pela equipe de transmissão foi pras cucuias. Até o Burti, o comenarista “Tradutor do Google”, se rendia ao irresistível talento do jovem debutante.

Missão cumprida, então. Meu querido GB gostou e tem um novo ídolo de infância para atazanar. Ainda bem que o garoto é um anti-Barrichello, e aparentemente se recusa a aceitar a idolatria global. melhor que seja assim. Terá paz pra planejar a carreira e, se tudo der certo, marcar bem mais que os dois pontinhos do domingo passado.

25
ago
11

“Haaaaja coração” reloaded

Fiquei sabendo que o Bruno Senna, o Primeiro-Sobrinho, vai participar das oito últimas corridas da temporada deste ano na Renault-Lotus (não confundir com Lotus-Renault, mas isso é outra história), em substituição ao Nick Heidfeld. Ele estava sem correr há nove meses, desde que foi dispensado da Hispania, sua ex-equipe, e não tinha arrumado vaga para correr em outro lugar. Parece que ele está trazendo uma bela grana para a equipe, e, afinal de contas, é disso mesmo que ela deve estar precisando, grana.

Quando ele estreou na Fórmula 1 eu escrevi, aqui e aqui, posts sobre a pachecada da RGT e do meu querido GB em torno do rapaz, que incluía uma sequência de “estou amocionado” e “haja coração” que era teste pra cardíaco, amigo (entenderam? Hein? Hein?). E isso porque ele estava em uma equipe que não deveria nem correr, de tão ruim que era (e ainda é).

A Renault-Lotus de hoje é a Renault que corria até o ano passado, que foi comprada por um fundo de investimentos que detém a marca “Lotus” e, em homenagem às “glórias do passado”, pintou o carro de preto e dourado (e conseguiram deixá-lo feio!), e não tem nada a ver com a Lotus pela qual Emerson Fittipaldi foi campeão mundial em 72 ou o tio falecido correu entre 85 e 87; aquela acabou em 1994, esta é mais uma jogada de marketing (como sempre) bem bolada mas mal executada do que qualquer outra coisa, e não tem muita condição de sair daquela área onde está na tabela do mundial de construtores (5º lugar, com 66 pontos, 31 à frente da Sauber, 14 pontos atrás da Mercedes). Só isso. Mas mesmo assim já estou esperando para este final de semana aqueles comentários enlouquecidos e enlouquecedores do tipo “se a estreia já foi emocionante, imagina agora, na mesma equipoe e com as mesmas cores do carro que o tio pilotava quando conseguiu a primeira vitória”, ou coisa parecida.

Bruno Senna não é um piloto brilhante, e não o será. Na verdade, a Hispania não lhe permitiu sequer mostrar se é competente. Mas parece ser um rapaz lúcido, que reconhece suas limitações e sabe que tem mais é que aproveitar as oportunidades que aparecem. Também tem um grande fator de atração de patrocínio, que é o sobrenome famoso. Se isso ajudá-lo a seguir na carreira, tanto melhor, piloto tem mais é que pilotar, é a profissão dele. O que ninguém merece é ser tratado como reencarnação de m ídolo só porque é da mesma família, nem ser assediado implacavelmente por gente presepeira e ufanista que o eleva à condição de herói nacional à sua revelia.

Mais um motivo para eu assistir à corrida ouvindo a transmissão no rádio.

04
ago
11

Já deu

Aê, boleirada, já chega dessa babaquice de comemoração “João Sorrisão”, tá bom?! Que palhaçada!

Essa é uma das jogadas de marketing mais idiotas que eu já vi a RGT fazer.

27
jul
11

Termos de busca

Estava acompanhando as estatísticas do blog. Quando fui conferir os termos de busca, me deparei com o seguinte:

Repararam na sétima linha?

Eu, hein! Como assim?!

19
jul
11

Todos aos botes!

Japão, campeão mundial de futebol feminino!

Vou repetir: Japão, CAMPEÃO MUNDIAL DE FUTEBOL FEMININO!

Japão, futebol, campeão do mundo… sacaram?

2012 tá chegando mesmo.

20
jun
11

Capitalismo infantil

Acompanhar crianças brincando é muito legal. Na idade em que João Guilherme está (ele completa um ano e nove meses depois de amanhã), por exemplo, elas gostam de brincar perto uma da outra, mas não necessariamente uma com a outra. Interações, mesmo, só na hora da divisão dos brinquedos, que se dá na mais antiga forma de acumulação primitiva de capital, ou seja, “é tudo meu!” e pronto.

Aí você, pai/mãe zeloso(a), preocupado(a) com a futura capacidade de seu rebento de viver em sociedade, chama o pimpolho(a) e explica pra criança que não é assim, que os brinquedos devem ser divididos, que os coleguinhas também querem brincar, e que ele deve socializar, até pra poder aproveitar aquele brinquedo do outro que ele não tem e está com o olho compriiiido pra cima dele.

Esse é o momento socialista, da luta de classes: você explica que todas as crianças são iguais e que não há propriedade privada, pelo menos enquanto vocês estão ali, todos reunidos no mesmo ambiente.

Aí a criança aceita, com muita relutância, dividir alguns brinquedos com os outros, e geralmente são aqueles que ela não quer nem saber, mas acabou levando pro lugar mesmo (os critérios de escolha dos brinquedos que as crianças querem levar para um parque, festa ou qualquer evento coletivo ainda estão sendo analisados). E começa a dividir os brinquedos em uma conta que nunca dá certo e geralmente acaba em briga.

Aí você, cansado de tentar, deixa que o mercado se autorregule, ou seja, que a criançada resolva por si só como organizar a bagunça, mas isso, evidentemente, não dá certo, porque sempre vai ter aquele que vai ficar com tudo e vai deixar a maioria à míngua.

Finalmente, você entende que é pra deixar as crianças brincarem, mas você terá de intervir nos momentos de maior exaltação pra ninguém brigar, disciplinando a bagunça, e percebe que elas têm um método muito particular de divisão dos brinquedos – algumas delas vão adotar esse método por toda a vida, aliás: “o que é meu, é meu; o que é seu, é nosso”.

Alguma dúvida?

11
abr
11

Os véus

Eu não gosto nada dessa proibição de usar véus em locais públicos que os franceses impuseram às mulheres islâmicas. Isso pra mim é institucionalização de discriminação religiosa. Quer dizer que na França, a partir de agora, as pessoas podem professar qualquer credo, desde que dentro dos padrões ocidentais de comportamento? Ou pior, que as pessoas podem professar em público qualquer credo desde que não seja o islamismo?

Qual a diferença, por exemplo, entre usar um véu ou, digamos, um solidéu? Ou um quipá? Ou um crucifixo? Ou uma guia de contas? Ou um turbante? Ou um terno, carregando uma Bíblia debaixo do braço?

O Presidente francês, um dos maiores defensores da ideia, alega que que o véu “aprisiona as mulheres e é contraditório com os valores seculares da nação de dignidade e igualdade”. Discordo do raciocínio. Convicções religiosas não podem ser reprimidas por força de lei, nem pela força. A noção de igualdade implementada pela Revolução Francesa é a de igualdade material, segundo a qual os desiguais devem ser tratados com desigualdade, na medida de suas desigualdades, justamente para reduzi-las. Tratar os desiguais com igualdade, portanto, é aumentar estas desigualdades e, consequentemente, gerar um estado de grande insatisfação e instabilidade social.

A impressão que me dá é que, com essa proibição esdrúxula, os franceses querem é se livrar de um problema: se as muçulmanas não usam véus, então não há muçulmanos. Se não há muçulmanos, não há potenciais terroristas (e, se existirem, eles não poderão se esconder por trás dos véus) e, assim, todos podem ficar em paz. O que a França está dando é um exemplo de intolerância religiosa e ignorância que nem os Estados Unidos no ápice do governo Bush foram capazes de dar.




Quem manda na área

Carioca nascido em Brasília, 36 anos, o pai do João Guilherme. Conhecido à boca miúda como o "Oráculo dos anos 80", que, para mim, não tiveram nada de "década perdida", sou destemido e temido nos quiz e joguinos de perguntas e respostas. Também sou viciado em cultura inútil. Vascaíno, adoro sorvete de creme e detesto camarão.

Mantra:

Nunca duvide da mediocridade humana - para baixo não há limites!

A foto do cabeçalho é…

Templo de Saturno, Via Sacra, Roma

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maio 2012
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