Provavelmente saudosos da cagada monumental que fizeram no sequestro do ônibus da linha 174, em 2000, os policiais do BOPE – Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – resolveram exercitar sua incompetência mais uma vez ontem, em outro sequestro de ônibus, desta vez no Centro da Cidade (em frente à sede da Prefeitura da Cidade). Desta vez, para a tristeza dos policiais, ninguém morreu, mas não foi por falta de tentativa. Só não aconteceu uma tragédia porque os bandidos deviam ser mais burros do que os policiais.
Foi simples: policial é rendido por bandidos dentro do ônibus e é obrigado a sair. Chama reforços. Eles cercam o ônibus. Até aí tudo bem, como deve ser. Ah, mas tá muito certinho, vamos botar um pouco de ação! Os bandidos tentam furar o bloqueio da polícia e aí o que que a PM faz? Larga o dedo em cima dos bandidos e manda chumbo pra cima do ônibus com 20 passageiros dentro! E daí se pegar em alguém?!
Ah, mas os tiros foram nos pneus, para parar o ônibus e parar a fuga, dirão! Claaaaro, os dezesseis furos de bala na lataria, todos de fora para o interior do ônibus não têm nada a ver! Os cinco passageiros baleados também não!
E daí se algum tiro pegar no asfalto, ricochetear e atingir alguém?
E daí se a pessoa que estivesse dirigindo o ônibus (que não era o motorista, que já tinha conseguido fugir) fosse atingida, perdesse o controle e causasse um acidente, ferindo mais gente?
E daí se os bandidos, vendo os tiros, resolvessem matar todo mundo dentro do ônibus como represália?
A trapalhada de ontem só não acabou em tragédia porque a providência divina não quis. A operação foi uma estupidez tão grande que o próprio Secretário de Segurança, que é um homem sensato (e não um populista presepeiro como o o governador ou um playboizinho lesado como o prefeito) teve de reconhecer que “mandamos mal, prometemos melhorar”.
Me poupem.


