Comer no Chile é uma experiência muito frustrante para quem espera uma culinária com o mínimo de qualidade. Os restaurantes são ruins, o serviço é capenga, a apresentação dos pratos é pobre e a comida quase não tem sabor. Por outro lado, quem gosta de fast food faz a festa – a quantidade de lojas do McDonald’s, do Burger king, do Pizza Hut e afins é impressionante, há uma filial do lado da outra nas ruas e mais de uma de cada rede dentro dos shoppings.
A base da culinária chilena é formada por três ingredientes básicos: batata frita, maionese e abacate. Tudo o que se come lá leva pelo menos um desses ingredientes, às vezes os três (inclusive os sanduíches do Burger King), e tudo consegue ter basicamente o mesmo gosto.
Dentre os pratos mais populares do Chile estão o lomo a lo pobre, um pedaço de contra filé assado, geralmente na brasa, acompanhado de batata frita e ovos fritos. Tem esse nome para lembrar dos tempos de vacas magras, especialmente dos moradores do campo, quando se só se conseguia comer um pedaço de carne acompanhado de alguma coisa que enchesse o estômago. É farto, entope mas não satisfaz. Há também a chorrillana, sobre a qual já falei, e acabou sendo a coisa que eu mais gostei de comer por lá, e o lomito, um sanduíche de carne assada com maionese, abacate e salada, servido com batata frita.
Quando o assunto são peixes e frutos do mar, a coisa fica ainda mais dramática. A costa chilena, assim como a peruana, é incrivelmente rica em quantidade e variedade de pescado, mas isso nem de longe significa qualidade à mesa. Fui a restaurantes em Valparaíso e em Santiago que foram bem recomendados pelos moradores (quer dizer, nada de dica de guia interessado em ganhar comissão) e fiquei muito mal impressionado com o que eu vi e comi. Os peixes simplesmente não têm gosto, não têm tempero, nada. O mesmo para os moluscos e crustáceos.
Os restaurantes, por sua vez, são muito ruins. Atendimento lento e impessoal, são caros e geralmente pouco confortáveis ou amistosos ao cliente; serviço ruim, em resumo. O consumidor tem de ser muito desapegado para se satisfazer com aquilo. Engraçado é que quando estávamos no voo da volta vi, na fileira do lado, duas pessoas conversando exatamente sobre os restaurantes no Chile, reclamando sobre as mesmas coisas que estou escrevendo aqui. Então, não deve ser só implicãncia da minha parte.
O Chile não é, definitivamente, um lugar para se comer bem. Para isso vá a outros países, ou fique por aqui mesmo, que tem restaurantes anos-luz à frente dos chilenos em qualidade de comida e atendimento. Depois da nossa (má) experiência no Mercado Central de Santiago, desistimos de procurar restaurantes para comer. A partir dali passamos a ir a supermercados e comprar nosso próprio lanche, até o final da viagem.






























