Arquivo do Autor para Eduardo Santos
Partiu!
Perguntinhas
Será que o meu querido GB vai comentar a homenagem do Sergio Perez ao Chapolim Colorado na transmissão do GP de Mônaco? Será que ele vai explicar o que significam o coração vermelho com o “CH” amarelo e a frase “Siganme los buenos” no capacete do garoto? E se ele falar alguma coisa, será que ele vai dizer o nome do personagem? Ou será que ele vai usar outro nome, como “Polegar Vermelho”?
Será?
Aguardemos.
P.S.: Chapolim na RGT, Sílvio!
Compra de cadastro
Recebi ontem um torpedo SMS com a seguinte mensagem:
PARABENS EDUARDO vc foi sorteado com uma bolsa de 50% em QUALQUER curso, na promocao mes das maes CEBRAC, Ligue agora para para (21) xxxx-xxxx informando o codigo T23.
Só de curiosidade, fui verificar e descobri que o tal Cebrac é o Centro Brasileiro de Cursos, sediado na Ilha do Governador, perto de onde eu morava. Lá são ministradas aulas de informática, contabilidade, “empreendedorismo”, recursos humanos e mais algumas coisas, e o curso se auto intitula “Escola de Campeões”, trazendo no site fotos do Fernando Scherer como garoto propaganda.
Não sei por que recebi esse SMS, muito menos por que fui contemplado com uma promoção de dia das mães, se, por questões fisiológicas óbvias, eu não sou mãe (certo, o pessoal que trabalha comigo costuma dizer que eu sou uma mãe, mas isso não vem ao caso), e, além disso, o dia das mães já passou há algum tempo.
O que eu sei é que é mais um caso de compra de cadastro de dados de consumidor, prática irregular que desobedece o artigo 43, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, porque todo de cadastro de dados de consumidor que não tenha sido aberto por solicitação do próprio lhe deve ser informada, mas não dá pra saber de quem meus dados foram comprados. Podem ter sido obtidos da minha operadora de celular (cujo relacionamento está por um fio, de tão ruim que é) ou de qualquer outro lugar, porque o que mais existe por aí é empresa que ganha dinheiro vendendo cadastros de consumidores.
O problema, para o Cebrac, é que eles precisam arrumar fornecedores de cadastro melhores, porque eu, decididamente, não sou parte do público que eles pretendem alcançar (e mesmo que fosse, não faria curso nenhum lá, porque tenho a maior antipatia por compradores de cadastros). Para mim, a questão é que eu, assim como várias pessoas, não tenho paz com mensagens SMS e spams que constantemente entopem minha caixa postal e minha caixa de mensagens do celular, a maioria com promoções inúteis e que na maioria das vezes engambelam o consumidor, porque de “promoção” não têm nada.
Esses caras bem que podiam arrumar coisa melhor pra fazer, e os meus dados bem que podiam estar rodando em lugares melhores por aí.
JG no Jardim de Luxemburgo
Paris não é a cidade ideal para viajar com crianças pequenas. Empurrar carrinhos de bebê nas calçadas estreitas da cidade é complicado, as pessoas olham torto nos restaurantes, é uma dificuldade enorme trocar uma fralda, por falta de um lugar adequado, as estações do metrô têm corredores estreitos e poucas escadas rolantes (elevadores, nem pensar!), os vagões das composições são pequenos e apertados, ninguém parece se importar muito com as dificuldades que nós temos quando carregamos aquela tralha toda. Mesmo assim, há lugares em que dá pra levar os pequenos sem medo de ser feliz.
Um deles é o Jardim de Luxemburgo, onde fica o edifício do senado francês. É um espaço enorme, de 224 mil metros quadrados, localizado no Sexto Arrondissement e muito bonito, arborizado, com alamedas amplas, perfeitas para a garotada (e os adultos também) correr. Guardadas as devidas proporções, tendo em vista sua concepção de espaço urbano de lazer, lembra o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Por isso muita gente leva seus filhos lá para brincar, tanto locais quanto turistas, para a alegria do João Guilherme, que se acabou de correr e brincar.
Logo na entrada do parque, pela Avenida Gay-Lussac, há vendedores de guloseimas como amêndoas torradas, marzipan, castanhas e biscoitos salgados, amanteigados, vários. No dia em que estivemos lá, havia ainda uma bandinha (que estava mais para “bando”) tocando várias músicas pop (como o tema de abertura de “Pulp Fiction”) em ritmo de marchinha, e algumas pessoas tentavam organizar um “flash mob”, mas a ideia não foi muito adiante. Depois de deixar JG dançar um pouco ali, seguimos andando por uma via bem ampla, forrada de folhas das árvores, que o outono jogou no chão. Além das crianças, muitos cachorros brincavam por ali (Paris rivaliza pau a pau com Copacabana na quantidade de cachorros, impressionante), e João Guilherme gritava o tempo todo “o cachorrinho! O cachorrinho!”, sempre tentando correr atrás de um.
Mais ou menos no meio do parque existe um lago artificial enorme com um chafariz, cercado por cadeiras, espreguiçadeiras e banquinhos perfeitos para quem quer ficar de bobeira e passar o tempo apreciando a paisagem e acompanhando o movimento. É lá que as crianças mais gostam de correr, porque além do chafariz há patinhos nadando e de vez em quando alguém leva um brinquedo para a água, como o barco de controle remoto que navegava calmamente, para delírio da garotada.
João Guilherme se divertiu e nem ligou para o frio que fazia naquela tarde de novembro. Isso, claro, até colocar a mão na água quando tentava tocar em um patinho (“frio, pai!”). Fiquei até tranquilo, porque ele rapidinho desistiu de chegar perto da água, mas seguiu brincando todo feliz.
Pena que chegamos relativamente tarde e acabamos aproveitando pouco, porque logo chegou a hora de o Jardim fechar. Havia muitos lugares ainda para se visitar lá dentro, mas deu para ver como o parque é um lugar bonito e calmo, um refúgio perfeito para descanso e lazer dentro da agitação da capital francesa.
Virei fã
Uma coisa que me deixa contente é ver homenagens sinceras. O reconhecimento da importância de alguém, de como o trabalho dessa pessoa ajudou a, de qualquer forma, mudar a vida de outras pessoas, sem oportunismo barato, sem pieguice, sem fazer disso uma demonstração de vaidade própria para se dar bem é muito, muito legal.
Ontem o piloto mexicano da Sauber, Sergio Perez, mostrou que no Grande Prêmio de Mônaco, que vai ser realizado no próximo fim de semana, vai homenagear o Chapolim Colorado, personagem do imortal Roberto Bolaños. No capacete, bem visíveis, estarão o coração amarelo com o “CH” vermelho, uma foto do personagem e a frase “sigam-me os bons!”, além de uma mensagem de agradecimento. Sensacional.
Confesso que não contava com a astúcia do rapaz, e achei a homenagem tão legal que fiquei até emocionado – caramba, quem não curte Chapolim e Chaves?! A partir de agora virei fã do garoto, vou torcer por ele desde pequenininho. Sigam-no os bons!
Minhas férias estão chegando, e dentre os preparativos para uma viagem tranquila (se quiser cohecer o passo a passo para uma viagem perfeita, clique aqui e conheça essa antologia), um bom guia de turismo é fundamental. Por isso, uma vez escolhido o destino e o tempo de duração da viagem (que vão ser divulgados na hora certa, não se apressem), chegou a hora de procurar um guia. Depois de pesquisar vários exemplares, não consegui encontrar nenhum que nos satisfizesse, e isso já estava me incomodando, porque o tempo estava passando e precisávamos prosseguir com o planejamento.
Foi quando eu percebi que a solução para esse problema estava muito mais perto do que eu imaginava. Eu conheço muitos guias de viagem, alguns até bonzinhos, mas nenhum deles é melhor do que os posts de O Cachambi é Aqui, seja quanto à riqueza de informações sobre os lugares visitados, seja quanto à qualidade dos textos. Como, coincidentemente, o roteiro inclui algumas cidades sobre as quais o Leandro já falou, não tive dúvidas: adotei os posts sobre elas e fiz o meu próprio guia, depois de tê-lo comunicado da ideia. Quanto aos outros destinos, bom, aí eu continuei tendo de me virar e tive de me contentar com esses guiazinhos assim, assim que todo mundo conhece.
Isso significa que eu e a Fê voluntariamente nos tornamos cobaias do que o Leandro escreveu e daqui a alguns dias várias das informações publicadas no Cachambi serão testadas pra valer por nós, e assim saberemos se tudo isso só é útil para o próprio autor dos posts ou pode ser utilizado por qualquer pessoa, no que eu acho que posso chamar de primeiro teste de verdade do livro que já devia ter sido publicado (que bem que poderia ser chamar “Guia O Cachambi é Aqui para Viagens Sem Sustos”, “O Cachambi Around the World”, “O Cachambi Viaja”, “O Cachambi Leva Você” ou “O Cachambi por Aí”, essa é boa, que tal?), de tão bom que é, pelo menos na teoria. Não sei se escreverei alguma coisa durante a viagem (afinal de contas, terei mais o que fazer), mas, se não o fizer, assim que eu voltar teremos um relato bem legal sobre o que aconteceu e, principalmente (tcharaaaam!) a avaliação prática, criteriosa, isenta e descompromissada das dicas e informações do guia de viagens de O Cachambi é Aqui.
Mas ó, é sem pressão, tá?
Tá o bicho!
Confesso que não esperava nada de mais dessa temporada da Fórmula 1, que me deixou mais desanimado ainda com esses carros horrorosos com bico rebaixado – ornitorrinco, tábua de passar, chamem do que quiserem. Sobre isso, ponto para a McLaren, que encontrou uma solução aerodinâmica elegante para as novas regras impostas pela FIA, mas não torço para ela por princípio. Mas isso não interessa.
O que interessa é que hoje completou-se um quarto da temporada 2012, que vem surpreendendo pela competitividade. Esse negócio de cinco pilotos de cinco equipes diferentes ganharem as cinco primeiras corridas do ano não é banal não, tanto que a última vez que isso aconteceu foi em 1983. E o mais interessante é que isso não parece ser só aquela bagunça que geralmente acontece no início do campeonato, essa alternância vai persistir por todo o ano. É claro que não vamos ter 20 vencedores diferentes, mas definitivamente não teremos o domínio de uma ou duas equipes como vimos nos últimos anos.
Em circunstâncias como essas, pilotos talentosos se destacam, e por isso temos visto boas corridas do Kobayashi, Grosjean, Rosberg, Di Resta, Raikkonen, Vettel, Button, Perez e Alonso. Este, aliás, está tirando onda ao dividir a liderança do campeonato com o Vettel mesmo pilotando um carro tecnicamente ruim. Ruim sim, mas não tão pior que os outros assim.
O desempenho de Alonso, aliás, só tem ressaltado a indigência do Felipe Massa, cuja carreira na F1 acabou no acidente na Hungria, em 2009. Ele não é sombra do que já foi (e que já não era lá grande coisa), e suas exibições têm sido cada vez mais constrangedoras. Não sei, sinceramente, se chega ao final do ano.
O mesmo acontece com Bruno Senna, que nunca foi lá grande coisa mesmo. Ele até que teve alguns bons momentos, mas nada empolgante – menos para o meu querido GB, para quem cada aparição do Primeiro-Sobrinho é um paroxismo. Mas pela corrida de hoje, em que o companheiro de equipe largou na pole e ganhou enquanto ele largava na 17a posição e abandonou depois de bater no Schumacher (que eu acho que também já deu o que tinha de dar na categoria). Mesmo que não tivesse abandonado, dificilmente teria feito alguma coisa relevante. Também não vai muito longe.
Bom, meu interesse na Fórmula 1, que andava meio (bem) em baixa, foi despertado neste ano, graças a uma temporada bem legal até agora. Que continue assim. Vai ser bem divertido.
O doido vazou
Pode ser irrelevante para muita gente, mas para quem, como eu e o Leandro, que curtimos Fórmula 1, especialmente a Fórmula 1 “moleque”, “arte”, “de amor à camisa” – refiro-me essencialmente aos anos 70, 80 e início dos 90, é importante lembrar que ontem, dia 09 de maio, completaram-se 30 anos da morte do canadense Gilles Villeneuve, um dos pilotos mais pirados que a categoria já conheceu.
Pra quem se liga muito em números e estatísticas, a carreira dele nunca foi lá grande coisa: em 67 corridas disputadas entre 1977 e 1982, fez 2 poles, ganhou seis vezes e foi vice campeão do mundo em 1979, fazendo dobradinha com Jody Scheckter no último título de pilotos antes do jejum que a Ferrari ia enfrentar até 2000, quando o Schumacher tirou o time da fila. Dessas corridas, a primeira foi disputada pela McLaren, e as demais pela Ferrari, equipe que praticamente personificou, tendo desenvolvido uma relação quase paternal com o Comendador Enzo Ferrari, fundador e dono do time.
Arrojado é pouco pra descrever o estilo de pilotagem de Villeneuve. Ele era maluco. Não ultrapassava onde podia, ultrapassava onde dava. E onde não dava era ainda mais legal. Ele passava com um carro a 60 km/honde eu não passaria com uma bicicleta a 20 km/h. Errava muito também, e isso lhe custou várias corridas, mas mesmo nos erros ele era espetacular. Paradoxalmente, fora do carro ele era pacato e discreto, totalmente avesso à badalação do paddock.
Villeneuve morreu aos 32 anos, devido às lesões causadas pelo acidente que sofreu durante os treinos classificatórios para o GP da Bélgica, em Zolder. A roda dianteira esquerda bateu na roda traseira direita de Jochen Mass, da March, e o carro decolou, capotando várias vezes. Gilles foi arremesado do carro, preso ao banco, contra o alambrado, e não resistiu.
Villeneuve morreu em crise de relacionamento com a Ferrari. Na corrida anterior ao GP da Bélgica, o GP de San Marino, seu companheiro de equipe, Didier Pironi (que também sofreu sério acidente no mesmo ano, em Hockenheim, e encerrou a carreira na F-1) havia desobedecido uma ordem de equipe que favoreceria Gilles (nada parecido com o “Fernando is faster than you”, eram outros tempos) e já se especulava que ele deixaria a equipe para correr na Williams (que faria Keke Rosberg campeão do mundo naquele ano) em 1983. Curiosamente, 15 anos depois, em 1997, seu filho Jacques sagrou-se campeão do mundo com uma Williams, derrotando Michael Schumacher com uma Ferrari.
Há vídeos aos montes no Youtube mostrando as doideiras de Villeneuve para quem quiser ver. Eu separei um que mostra a, na minha opinião, mais enlouquecida e famosa perseguição da história da Fórmula 1: as voltas finais do GP da França de 1979, disputado em 1º de julho daquele ano no circuito de Dijon-Prenois, em que Villeneuve e René Arnoux, da Renault, se engalfinham pelo segundo lugar na corrida, vencida por Jean-Pierra Jabouille, também da Renault. Tudo no maior fair play! Uma aula de pilotagem que deveria ser seguida pelos pilotos de hoje.
Sallut Gilles!






